11 de maio de 2011

PARECE QUE ME MOVO

Parece que me movo
Mas estou inerte, parado nesta esquina
O bonde não vem mais
E eu diria – para consolar –
Que as solidões geraram obras
Construíram castelos
Abdicaram de coroas

Mas meu corpo é rijo
Imóvel meu pensamento
Há alguns caracóis que me pedem passagem
A rua é pública
Passem sobre meu cadáver
Daqui não me movo

Vou ficar aqui parado, hirto,
Regendo com os olhos
Os movimentos que – imagino –
Fazem as estrelas do céu da tua boca.

Van Gogh, Noite estrelada sobre o Ródano, 1888. Museu d'Orsay.

Um comentário:

  1. Tem razão: o ritmo do amor é outro, diferente deste frege que nos assola quando ficamos desatentos.

    ResponderExcluir