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5 de agosto de 2014

PENSAMENTOS BEM PENSADOS REQUENTADOS


Como ando assoberbado de coisas por não fazer, falta-me tempo hábil para engendrar alguma coisa neste meu cérebro nervoso (Quem é da minha geração identificará o samba-canção de onde plagiei isto, certamente.). Assim vejo-me na contingência de lançar mão de alguns pensamentos bem pensados, já publicados em Gritos&Bochichos, porém inéditos aqui. Não são brilhantes que mereçam ser repetidos. Contudo, como dizem que não há piada velha, mas público novo, espero que eles ainda não tenham sido lidos pelos leitores que me honram com sua vista d’olhos sobre minhas bobagens.

Vamos a eles!

1. Não que eu tenha implicância com o ornitorrinco, porém até o nome do bicho é esquisito.

2. Chama-se de gaviões da fiel um bando de corintianos tarados que ficam de olho na honesta mulher do vizinho palmeirense.

3. Um dia é da cabritada; o outro, da buchada de bode.

4. Incongruências do reino animal: perua que solta a franga arrisca a desencaminhar a periquita.

5. O primeiro resultado prático do máximo divisor comum se deu quando Cristo dividiu um peixe e um pão com cinco mil seguidores. Depois disso, tal cálculo jamais funcionou muito bem.

6. Na Praça dos Três Poderes manda quem pode e obedece quem não tem nenhum poder.

7. A situação anda tão esquisita, que gavião real está aceitando emprego de urubu.

8. Adaptação da lei física: a toda ação corresponde uma réplica, uma tréplica e um sem-número de recursos protelatórios, que chegam até ao STF.

9. Nem cavalo marinho dá coice, nem pangaré respira embaixo d'água. Portanto, cada um na sua!


10. Diz a Bíblia que, "no princípio, era o verbo". Depois vieram as outras classes gramaticais e, consequentemente, os gramáticos. A partir daí, as coisas só se complicaram.

Imagem em fmanha.com.br.

31 de dezembro de 2012


FELIZ ANO NOVO!

Pôr do sol alaranjado em Icaraí (foto do autor).


29 de novembro de 2012

DIZ-SE NA MINHA TERRA


Na minha terra, ninguém gargalha; mas poca de rir; do verbo pocar, que estoura em todas as bocas. Assim como as coisas não se arrebentam, não se rompem: pocam. Poca a fita, poca o fio, poca a cerca de arame com o arremesso do boi. Até mesmo a paciência pode pocar. Não poque minha paciência, menino, diz a mãe atarefada para o filho desesperado. Mas o perigo maior era quando um açude pocava e fazia jorrar um borbotão de água terra afora.
Também não há coisas ásperas, mas caracaxentas. As paredes são caracaxentas, o asfalto é caracaxento. A madeira antes da lixa também. O cara que tem a pele áspera é caracaxento. E havia o meu colega de infância com o apelido de Caracaxá, um tipo de chocalho infantil, que deve ser de onde vem caracaxento.

Ninguém se fere, arranha a pele; antes, a escalavra. A ferida produzida por fricção é um escalavro. Então o paciente passa a ter a pele escalavrada. Como a terra do campo revirada pode ser escalavrada (lavrada). Fulano escalavrou a terra, para plantar, dizia-se às vezes.
Ninguém sente agonia, ansiedade, aflição; mas gastura. Estou com uma gastura aqui dentro no peito, diz a pessoa angustiada. É a mesma gastura que dá no dente, quando se ouve, por exemplo, o barulho de unha roçando um azulejo ou num quadro-negro.

Também ninguém bate forte, mas lasca o pau, ou senta o pau. Lasca o pau no lombo alheio, quando o trem esquenta e a solução são tapas e pescoções, em vez de acordo e conciliação.
E ninguém sai apressadamente de lugar nenhum, mas deita o cabelo, mesmo que ele esteja arrepiado. A coisa ficou feia, o fulano deita o cabelo, quer dizer foge dali com rapidez. Também pode meter sebo nas canelas, que é outro jeito de andar muito ligeiro.

Não se desconfia de nada, lá na minha terra. As pessoas ficam cismadas, encafifadas. E, quando uma bota cisma em cima de alguém, é difícil de tirar. Porque todo sujeito cismático é encafifado.
Assim também há as pessoas sistemáticas, como meu pai ou o Valdemar sapateiro, cheias de nós pelas costas, que é como se diz das pessoas com manias muito próprias.

As coisas que não estão bem arranjadas, bem arrumadas, nos conformes, normalmente são escalafobéticas. Já a pessoa mal-ajambrada de corpo também pode ser escabufada. Como o Zequinha Escabufado, que teve um problema na perna direita e andava troncho, com seu joelho em forma de acento circunflexo virado para dentro.
E, durante muito tempo, ninguém ficava doente ou passava dificuldade: tinha um perrengue. O cara perrengado procurava o Zé da Farmácia, para tomar um sanativo, ou um amigo, que lhe tirasse da aflição.

Diz-se, preferencialmente a sanduíche, pão com carne, pão com ovo, pão com salame, pão com bife, pão com linguiça, pão com queijo e por aí afora, na linha de pão com manteiga.
Uma confusão com tapas e pescoções, envolvendo algumas ou muitas pessoas, normalmente é um pega pra capar. Se for apenas uma confusão de sentidos, de ideias, pode ser que seja um cu de cachorro. Xiiii, foi um cu de cachorro! Quer dizer, foi uma grande confusão, mas sem pancadaria.

As pessoas moralmente mais liberais, quando estabelecem conluio matrimonial com alguém fora dos parâmetros legais, se orelham. Fulano está orelhado com fulana, era como se dizia quando os dois passavam a coabitar sem os papéis da lei. O que ensejava outra frase em sequência: Orelhado com fé, casado é!. Mas os que se casavam no religioso se casavam no padre. Minha mãe, muito católica, só convenceu meu pai a casar no padre, eu já menino. Antes só havia a certidão do cartório. É que meu pai era um tanto anticlerical, talvez por influência do tempo em que fora maçom. Então num domingo à tarde, logo após a missa mensal na vila, minha mãe e meu pai saíram enfatiotados. Desconfiei da elegância simplória deles e perguntei aonde iam. Mamãe respondeu: Vamos casar no padre. E voltaram com a certidão religiosa, tão preciosa para minha mãe.
As mulheres grávidas não davam à luz. Melhor: ganhavam menino. Menino homem ou menina mulher, conforme o sexo. Lembro-me de Dona Flor, nossa vizinha, dizendo que uma conhecida tinha ganhado menino homem. Minha mãe mesma ganhou dois meninos homens e três meninas mulheres.

Outra coisa: lá ninguém abandona nada – projeto, atividade, assunto –, mas larga mão. Larguei mão de fazer aquela horta de que lhe falei, diz o vizinho ao outro. Larga mão de besteira, sô! Eis a forma de incitar alguém a abandonar uma opinião que se tem como equivocada.
Acho que também vou largar mão de ficar dando gastura em você, leitor. Qualquer dia, volto ao assunto.


Folha de rosto do Elucidário de Viterbo, de 1978 (imagem em frenesilivros.blogspot.com).


29 de dezembro de 2011

PENSAMENTOS BEM PENSADOS XI

Imagem em st-andrews.ac.uk.
Entrego aos meus prezados leitores mais vinte pensamentos bem pensados, para reflexão neste final de ano, em que nada de proveitoso acontece. Por isto, eles se justificam.
Para não me alongar em explicações desnecessárias, ei-los aí.


1. A alegria do carrasco é a desgraça do enforcado.

2. Se a cachaça é boa, o tira-gosto sobra.

3. Quiabo pouco, meu xinxim primeiro.

4. O galo do vizinho sempre canta fora de horas.

5. No Dia das Bruxas, as mulheres feias evitam varrer a casa, a fim de não despertar suspeitas.

6. Quem se submete a lavagem cerebral arrisca a ter seus miolos comidos por porcos.

7. Goiás tem produzido tanta dupla sertaneja, que já estuda a possibilidade de iniciar a exportação para a China, ou melhor, para a Cochinchina, para lá do caixa-prego, onde o Judas perdeu as botas.

8. Ladrão que rouba político tem indulto permanente.

9. Acabado o governo, as fotos oficiais do ex-presidente não servem nem para papel higiênico.

10. Político só dá a cara a tapa, se souber que o eleitor é maneta.

11. Boa parte das pessoas que vive com auxílio do governo, nos vários tipos de bolsa existentes, queria mesmo eram bolsas Vuitton ou Victor Hugo.

12. Vítima de erro médico vai-se queixar a Deus.

13. Se o vinho fizesse o bem que apregoam, vinhateiro não morreria.

14. Depois que Adão e Eva foram expulsos do Paraíso, o homem pegou a mania de oferecer à mulher que almeja conquistar aquilo que perdeu para todo o sempre.

15. Entre ficar preso no trânsito das marginais e tomar um banho de mar antes do trabalho, o carioca prefere a segunda opção. E é isto que fundamentalmente o diferencia do paulista.

16. Na Finlândia tudo se cria. Na China, tudo se copia. No Brasil, para tudo se dá um jeito.

17. Não posso alimentar-me de luz, como alguns apregoam, porque minha tomada não está conforme o último padrão imposto pelo governo. Sou do tempo do "gato" e da gambiarra.

18. O coco não é originário do Brasil, assim como a galinha, a manga, o boi, o pardal. Só falta dizerem que a Juliana Paes é sueca e que a Alessandra Ambrósio veio do Cazaquistão. E o nosso ufanismo onde fica?

19. O paletó do aspone se pendura em cabide de emprego.

20. O pessimista viverá mais que o otimista só para, no fim dos tempos, dizer: "Não falei que o mundo não ia dar certo? Eu já sabia! Eu não disse?".

3 de dezembro de 2011

PENSAMENTOS BEM PENSADOS X

Em steelturman.typepad.com.

Nunca duvide da capacidade de uma mente em estado de ócio. Eis aqui mais uma vintena de pensamentos bem pensados, que tentam abarcar todo o espectro das preocupações da vida humana, sem, contudo, querer se meter nela de modo invasivo. Se apenas fizerem cosquinhas, já está de bom tamanho.

Ei-los. 
1. Uma coisa que não dá pé é dar pé de atleta em perna de pau.
2. Na dúvida, duvide sempre.
3. Se você não tiver segurança em fazer alguma coisa que não ofereça segurança, é melhor, por segurança, não fazer mesmo! Pode ser que tudo dê errado, o que será altamente inseguro.
4. Não se abre caixa de dinamite a poder de marteladas.
5. No Planalto, in dubio, pro Delúbio!
6. Cavalo que não escoiceia leva arreio.
7. Cada um gosta do que gosta. E o resto, no seu juízo, é bosta.
8. Cão bernento, dono piolhento.
9. Solidão de três, suruba à vista.
10. Maminha pouca, meu soneto primeiro: “Alma minha gentil que te partiste...”*
11. O samba é a única manifestação humana que o sambista diz com a boca e diz com o pé, sem que este se confunda com o que diz.
12. Se, por um remoto e improvável acaso, houvesse a prática japonesa do haraquiri entre nossos homens públicos pegos na prática de atos condenáveis, haveria no Brasil uma autocarnificina de proporções catastróficas. Ainda bem que somos um povo sem um pingo de vergonha na cara.
13. Coveiro que trabalha sério não cava seu próprio túmulo.
14. A quem importará a desgraça de um homem desonrado senão a seus iguais?
15. Periga que a constituição deste novo governo de salvação da Itália, formado sem nenhum político de carreira, venha comprovar que, desgraçadamente, estamos sustentando uma categoria totalmente inútil ao longo de centena de anos: os políticos.
16. Quanto mais ministérios componham o governo, tanto mais áreas de interesse público deixarão de ser atendidas convenientemente pelos serviços oficiais. É a tal da razão inversamente proporcional da matemática atuando no campo político.
17. No Ministério da Agricultura, enquanto a vaca vai para o brejo, o boi arranja um jeito de ir para o abate. Já o pessoal do gabinete se dá bem.
18. Vai ficar preta a situação do cara que atirou na Casa Branca: nem acertou no Obama e vai entrar em cana. Bem feito, quem mandou ser ruim de pontaria! Pagará até por sua incompetência.
19. Estudante da USP agora não queima mais a mufa para estudar. Queima outras coisas!
20. Ninguém consegue tirar a honradez de um homem honesto, assim como não consegue dá-la a um desonesto.
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* Luís de Camões, Soneto 080 (em Canal do estudante).

13 de novembro de 2011

PENSAMENTOS BEM PENSADOS IX

Imagem em richelibre.net.

Segue aí mais uma dúzia de pensamentos bem pensados elaborados com todo critério por “meu cérebro nervoso”, como dizia o verso do velho samba-canção*. É que sou desse tempo, embora nunca tenha achado samba-canção essa maravilha toda, mas era isso o que mais se ouvia naquela altura. Depois, como já disse alhures, a bossa nova e o roquenrol impregnaram meus ouvidos com seus acordes.

Mas por que é que estou dizendo essas coisas que não interessam agora?
Vamos a eles!

1. Foi preciso haver a primeira guerra, para que o homem conhecesse a paz.

2. Por menor que seja a confusão num quarto de pensão, para a sua proprietária ninguém estará com razão.
3. Político é aquele cara capaz de, entre várias alternativas éticas, fazer as coisas do modo politicamente mais incorreto e ilegal possível.

4. Não há maior desafio às leis naturais do que pobre ficar esperando por um milagre e este acontecer.
5. Na democracia, que é uma forma de ditadura mais suportável, com frequência a maioria vê que errou, há alguns pleitos anteriores, e corrige seu voto na eleição seguinte, de modo que, daí mais alguns anos, corrige novamente sua escolha, voltando àquilo que pensava estar errado, que se revelará errado logo adiante, e assim por todo o tempo.

6. Quando eu morrer, quero ser cremado, embora apenas ligeiramente. É que nunca gostei de carne bem passada.
7. Em todo botequim pé-sujo do país, há no mínimo um filósofo amador movido a álcool. Caso haja mais de um, o botequim passa à categoria de academia, no sentido grego da palavra. E Platão está aí para não me deixar mentir.

8. Parece que a Igreja disse que não há mais Purgatório.  Quero crer que esta estação foi fechada para economizar a viagem de ida. Agora a passagem é direta, sem escala ou baldeação: Terra > Inferno, Terra > Céu, conforme o bilhete adquirido. É que também lá os banheiros ficavam muito sujos, após a estada das almas viajantes.
9. Qualquer time de várzea também tem sua torcida, sem que isso signifique que o futebol saia engrandecido, embora, vez ou outra, ocorram tapas e pescoções como em qualquer torcida organizada de grande clube.

10. Ninguém melhor do que um político para saber que tudo aquilo que dizemos dele é a mais pura verdade, que jamais poderá ser provada em qualquer instância da justiça brasileira, razão por que poderemos ser processos por calúnia, injúria e difamação.
11. O anunciado referendo grego sobre a aceitação das condições da ajuda financeira internacional soa, mais ou menos, como um novo cavalo de Troia. Acho que alguém se dará mal nesta história.

12. Preferia os estudantes que lutavam por liberdades públicas e contra o regime de exceção, durante a ditadura militar, a estes estudantes de agora que lutam pelo direito de fumar maconha e de se permitir o tráfico no campus universitário.
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*Revolta, de Raul Sampaio e Nelson Gonçalves, gravado por Nelson Gonçalves.

29 de outubro de 2011

PENSAMENTOS BEM PENSADOS VIII




Encontrei numa livraria do Rio de Janeiro a obra Migalhas de Machado de Assis*, livro de compilação de frases do escritor carioca, colhidas em sua vasta obra por Miguel Matos.
Machado é também reconhecido como grande frasista. Seus escritos estão repletos delas. Assim o compilador se deu ao trabalho, com auxiliares, de fazer tal coleta.
Uma delas diz o seguinte: "Há frases assim felizes. Nascem modestamente, como a gente pobre; quando menos pensam, estão governando o mundo à semelhança das ideias" (in Esaú e Jacó e indicada pelo número de ordem 280 na compilação).
Vejam, então, vocês que, daqui mais alguns anos, posso ser citado, como faço agora; posso ser pai de alguma filosofia – algum –ismo –; inclusive posso ser guru de alguma religião muito lucrativa. Pretensão e caldo de galinha, na medida certa, nunca fazem mal a ninguém.
Continuemos, pois, com a publicação desses pensamentos bem pensados.
Imagem em
edmort999.blogspot.com.

1.      No Ministério da Agricultura, de cada enxadada que se dá, sai um corrupto. Já a mandioca anda escassa.

2.      Dos buracos das estradas brasileiras saem ratos peludos filiados ao PR - Partido dos Roedores.

3.      O salário mínimo brasileiro teve seu valor calculado de modo a não permitir a quem o recebe sair por aí, gastando a três por quatro. Pobre, quando tem, é um perdulário de marca maior.

4.      Vi notícias do lançamento de documentário sobre a reação do ex-presidente Lula vendo um filme sobre ele mesmo. Sei não, mas acho que o cinema nacional anda sem argumentos interessantes.

5.      É engraçado como nossa vida se desenrola, ou antes, marcha na fieira do tempo. Chega um momento em que, inopinadamente, dobramos do Cabo da Boa Esperança para o Cabo das Tormentas, num percurso inverso ao de Bartolomeu Dias. E o pior é que, ao nos darmos conta disto, nossa nau desembestada já está se aproximando de Calecute.

6. O haraquiri jamais pegaria no Brasil. Aqui, a vergonha pública que, lá no Japão, leva ao suicídio é virtude inexistente.

7.  Recebi e-mail solicitando minha assinatura em protesto contra um homem matador de gatos nos EUA.  Ora, lá só me interesso pela integridade da Demi Moore e da Beyoncé.

8.  Não há paixão, por mais doentia que seja, que um simples casamento não cure completamente.

9.  A única idade que não existe é a meia idade. Ninguém sabe quando será o fim: assim não existe o meio.

10.  A corrupção é uma prática tão difundida entre nós, que já se pensa em elevá-la à categoria de patrimônio imaterial do Brasil.

11.  Não confie muito que os políticos sejam capazes das maiores falcatruas. Eles, definitivamente, não são confiáveis.

12.  A primeira necessidade básica do homem é mamar. A segunda, caso se torne político, é mamata.

13.  Se você toma uma atitude numa latitude equidistante de qualquer ponto do planeta, o resultado vai estar numa longitude inconveniente a que este seja alcançado.

14.  Nos esportes patrocinados pelo Ministério idem, é no Segundo Tempo que os árbitros metem a mão no resultado dos jogos.

15.  Toda vez que assacam aleivosias e insinuações maliciosas contra o Ministro dos Esportes, o esqueleto do Cantor das Multidões sofre espasmos no Cemitério do Caju.

16.  Porco chauvinista é tão imprestável, que não serve nem para torresmo; quanto mais para leitão à pururuca ou leitão da Bairrada.

17.  No bate-boca entre Orlando Silva e João Dias nada há de musical, porém não sei qual desafina mais.
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*MATOS, Miguel (org.). Migalhas de Machado de Assis. 4. ed. São Paulo, Ed. Migalhas, 2009.

16 de outubro de 2011

PENSAMENTOS BEM PENSADOS VII

Imagem em rouxinoldejardim.blogspot.com.

Com a continuação da publicação destes pensamentos bem pensados, pode ser que um dia eu chegue ao humor do Barão de Itararé, à profundidade do Marquês de Maricá e à conta bancária do Mago Paulo Coelho. Nunca se sabe, não é mesmo? Até internado em manicômio este último esteve. Por isso, creio piamente que tudo seja possível. Ninguém sabe das armadilhas da vida, nem o vidente em maior evidência no momento.
Então, sem mais delongas, aí vão os novos pensamentos.
1. Se eu fosse dizer tudo de positivo que penso, praticamente daria quase uma folha em branco.
2. Cavalo que muito escoiceia perde o rumo da marcha.
3. Pai de santo sem convênio com os poderes celestiais equivale a um celular pré-pago sem crédito.
4. Conselho dado não se olha a fonte.
5. Algumas vezes, para trazer a pessoa amada, basta uma bela conta bancária, ou uma Ferrari.
6. Não ando de bonde no Rio de Janeiro, nem sob a proteção de Santa Teresa.
7. No verão, quando chove forte no Rio de Janeiro, a cidade se transforma num rio de janeiro, de fevereiro e março. Quiçá até de abril!
8. Pelo volume de água que cai do céu em várias partes do mundo, fica difícil acreditar nas previsões de que estamos acabando com a água do planeta. Talvez só São Pedro acredite e esteja fazendo a reposição.
9. Toda a pretensa literatura de autoajuda ajuda mais o autor do que o leitor, o que vem justificar plenamente sua denominação.
10. Na Academia Brasileira de Letras, durante o chá das cinco, frequentemente morre um imortal.
11. Todo imortal da ABL, quando morre, comprova de modo irrefutável que o título lhe foi dado sem critério algum.
12. A se crer nas últimas previsões sobre o fim do mundo, comprova-se que todas elas são realmente incríveis.
13. O mundo já acabou vezes sem conta na previsão de milhares de videntes, tanto que, quando de fato acabar, não haverá vidente que conte.
14. Uma estrada esburacada que vá dar no nada é sempre melhor que uma asfaltada que te leve para a casa daquela sogra insuportável.
15. As ditaduras seguem a lei natural: depois de velhas, perdem o vigor e caem como qualquer órgão do corpo humano que vocês conhecem e cujo nome me abstenho de dizer.
16. Não há Viagra para ditaduras que perdem o vigor: todas elas acabam caindo inapelavelmente.
17. Roupa suja se lava na lavanderia.
18. Tudo o que eu sei ao certo é que tudo o que sei é muito incerto.
19. O Mausoléu que Sarney construiu para si em terras maranhenses é uma obra inútil: afinal ele não é imortal?
20. Cerveja dá barriga; carne vermelha, colesterol; doces, diabetes; cigarro dá câncer; álcool, cirrose. Será que não há nada de gostoso que dê saúde e vida longa?
21. Jacaré que vacila, diz o ditado, vira bolsa. Já o esperto arranja emprego na Lacoste.
22. Duvido que você duvide mais do que eu: eu duvido até das minhas dúvidas.

23 de setembro de 2011

CORRIGINDO O POLITICAMENTE INCORRETO

Não quero ficar à margem da modernidade. Quero ser, como se dizia outrora, up-to-date. Detesto estar por fora, ainda mais que não sou umbigo de vedete (Na minha época de menino só as vedetes punham os umbigos de fora, o que gerou a frase: Mais por fora que umbigo de vedete. Depois as coisas começaram a melhorar.)
Por isso, estou antecipando-me às cabeças mais antenadas e venho propor a alteração do título de algumas obras, ou de algumas expressões consagradas na língua, porém eivadas (gostaram do adjetivo?) de preconceitos.
Aí vão elas.
O negrinho do pastoreio – Lenda do sul do Brasil também presente no Uruguai, contada pelo gaúcho Simões Lopes Neto no livro Contos Gauchescos & Lendas do Sul (1912), que agora, está totalmente fora dos padrões da correção política. Seu título será alterado para O afrodescendentezinho do pastoreio.
Criado mudo – Peça do tradicional mobiliário doméstico brasileiro, cujo nome foi dado, porque, à época de sua criação, os criados não tinham direito à voz. Hoje tudo mudou (sem trocadilho): quase ninguém tem mais criado em casa. Na verdade, boa parte das pessoas se cria nas ruas. Em todos os casos, se o tiver, deve adotar o nome criado deficiente falante (forma popular) ou criado afásico (forma culta), a fim de se enquadrar aos novos tempos.
Cachaça Nega Fulô – Cachaça de excelente qualidade – e digo isso de ciência própria – fabricada no município de Nova Friburgo/RJ. Por um descuido de seu fabricante, saiu o nome politicamente incorreto. Vamos corrigi-lo para Cachaça Afrodescendente Fulô. O porre pode ser até o mesmo, mas o nome não.
O navio negreiro – Talvez a obra (1869) mais representativa entre todas as que escreveu, no curto espaço de sua vida no século XIX, o bardo baiano Castro Alves, “poeta colosso, sujeito moço, mas soube o que fez”. Como sempre foi um batalhador das causas sociais, certamente estaria entre os combativos politicamente corretos de hoje e mudaria o título de seu belo poema para O navio fretado para o transbordo de afrodescendentes.
A moura torta – Célebre conto popular da Península Ibérica, surgido à época da sua ocupação por forças da Al-Qaeda medieval vindas do Oriente Médio, via Magreb, comandadas por Tárique, que atravessou o Estreito de Gribraltar, no início do século VIII. Por isso, portugueses e espanhóis criaram a história de uma moura extremamente feia que aterrorizava as criancinhas, só para sacanear os sarracenos. Como hoje fazer isso é um perigo medonho, sugiro a mudança para A conterrânea de Maomé portadora de deficiência física deformante. (A história pode muito bem nem ser essa, mas fica politicamente incorreta, não é?)
O velho e o mar – Romance famoso (1952, The old man and the sea, no original) do não menos famoso Ernest Hemingway, inveterado escritor, casador e bebedor norte-americano que acabou por suicidar-se aos 61 anos de idade. Hoje não se pode mais chamar velho de velho, como todos estão cansados de saber. Inventaram tantas expressões hipocorísticas para atenuar os problemas advindos da vida longa, que quase não se veem mais velhos por aí. Sua obra hoje certamente se intitularia O portador de hipertrofia etária e o mar.
O escudo negro – Filme hollywoodiano de 1954, estrelado por Tony Curtis e Janet Leigh, os bonitões da época, e dirigido... por quem mesmo? Naquela altura não se dava muita atenção a diretores, mas vá lá: Rudolph Mate. Norte-americano às vezes é meio sem-noção mesmo. Já quando do seu lançamento ocorriam historinhas desairosas sobre o título do filme, que foi levado às telas do Cine Monte Líbano, em Bom Jesus do Itabapoana, em sessão nobre de domingo.  Parodiando a paródia da época que fazia trocadilho infame, o título deve ser: Os ânus dos afrodescendentes.
Terça-feira gorda – Embora hoje ninguém mais use esta expressão em língua portuguesa para referir-se à terça-feira de Carnaval, é bom que se lhe troque, no mínimo, o adjetivo incorreto. Nos Estados Unidos ainda se usa a expressão francesa Mardi Gras, que é exatamente terça-feira gorda. Os problemas com a balança devem ser restritos a quem os tem. Os outros, sob pena de serem acusados de incorretos, devem abster-se desse tipo de juízo de valor. Isto também vale para a farra do Carnaval, que deverá ser, assim, terça-feira com sobrepeso, mas já está fazendo regime para emagrecer.

Olha o mardi gras aí, gente! (imagem em anaviaja.blogspot.com).

Chocolate Diamante Negro – A Lacta, apesar de branca em sua marca – Lacta é praticamente leite –, deu nome politicamente incorreto ao seu chocolate mais famoso. Hoje deve renomeá-lo para Chocolate Diamante Afro.
Anão de jardim – Peça decorativa, normalmente de cerâmica, de duvidoso gosto estético, que se vende em barracas à beira da estrada para Itaboraí/RJ. Embora tenha esse pedigree de baixa extração, não merece o nome que lhe deram. Sugiro: prejudicado verticalmente de jardim. Quem sabe o preço de venda não possa ser até maior?
O vermelho e o negro – Obra-prima da literatura francesa (1830), escrita por Stendhal, que teve muitos problemas por suas posições políticas. No entanto – como diz o ditado: casa de ferreiro, espeto de pau –, não atentou para o título incorreto, mesmo em francês, de seu romance, Le rouge e le noir. Proponho a retificação para O vermelho e o afro.
Cabra cega – Inocente brincadeira infantil, da fase pré-cibernética, que fazia alusão à impossibilidade de o animal ter a visão das coisas que o cercavam. A palavra usada, então, hoje está marcada por um odioso preconceito, embora cego continue não enxergando do mesmo jeito. Em todo caso, proponho a alteração para cabra deficiente visual, ainda que não veja (Veja só: será que eu sou um cabra cego?) criança nenhuma brincado mais disso.
Loura burra – Atualmente não é mais possível identificar as pessoas pela cor de sua pele – a não ser a própria, a fim de ganhar sua cota em diversos estamentos sociais –, ou pelo emaranhado e colorido de seus cabelos, nem pela circunferência de sua cintura, assim como suas inclinações eróticas. Estes são tempos realmente difíceis, que nos exigem um grande conhecimento de sinônimos, antônimos, parônimos, homônimos e, por que não dizer, homófilos. Tem-se a impressão de que o burra, na expressão, não ofende tanto quanto o loura, por isso proponho sua alteração para mulher portadora de cabelos desprovidos de melanina e deficiente do ponto de vista do quociente de inteligência e das informações culturais adquiridas (Vejam só o trabalho que dá a loura burra.)
Negro é lindo – Música que deu título a elepê (O troço é antigo, como podem perceber: é de 1971.) do compositor, cantor, músico e guitarreiro Jorge Ben, meu ídolo e hoje nomeado Jorge Ben Jor, fazendo a propaganda da beleza dos de pele tisnada. Mais correto seria, numa releitura carregada de boas intenções modernas e que, com toda certeza, aumentaria a arrecadação de direitos autorais: O afrodescendente não é feio, não!
Roda de fogo – Novela da Rede Globo, exibida entre l986 e l987, que faz grosseira referência a problemas que ocorrem no fiofó da pessoa que sofre de prurido anal. Na época, as coisas eram muito liberadas mesmo, e os autores lançaram mão desta expressão chula para se referir àquela parte da anatomia do herói que passava por problemas. Nela, é bom dizer, não havia o sentido subjacente de “queimar a rosca”, como querem os maledicentes. Como evoluímos bastante no quesito mestre-sala e porta-bandeira, bem como em evolução e harmonia, sugiro mudança do título, agora com viés médico: Hemorroidas ardem.
O caso dos dez negrinhos – Agatha Christie, a autora do livro publicado em 1939, não tinha nada que se meter no caso deles. Deixasse para lá. Era coisa que não dizia respeito a ela. Mas sabem como são os escritores, não é mesmo? Bastava não usar a palavra politicamente incorreta negrinhos, que pegou muito mal, tanto que nos Estados Unidos, o livro ganhou outro título, a fim de que não fosse acusado de racismo. A edição brasileira traduziu ao pé da letra a expressão little niggers presente no título inglês. É preciso mudar, sem esconder o caso deles, pois hoje está tudo muito liberado: O bofe dos dez afrodescendentezinhos.
Por aqui ficamos, por hoje.

10 de setembro de 2011

PENSAMENTOS BEM PENSADOS VI

Imagem tragarte.blogspot.com.



Nestes novos pensamentos bem pensados, há uma forte tensão entre o politicamente correto e o político incorreto, de modo que alguns deles podem chocar, galar ou simplesmente gorar, como ocorre aos ovos.
Todos eles, é claro, cheios de pretensões humorísticas, que não estou aqui para dar lição de vida a ninguém. Isto fica lá para a extensa literatura (?) encontrada nas prateleiras das livrarias, com seus habituais autores, grandes arrecadadores de direitos autorais.
Apraz-me (Eta verbinho mais antigo!) apenas e tão-somente fazer algum chiste (Eta substantivozinho mais demodé!), porque sei que, com eles ou sem eles, minha conta bancária - que anda mais periclitante que a de alguns países europeus - não vai sofrer modificações significativas.
Vamos a eles, sem mais delongas!
1. Os gays, ultimamente, andam tão ativos, que já estou até achando os heterossexuais muito passivos.
2. Tenho um parente gay, e fico com muita vergonha, quando ele vem me dar esporro por eu ter feito alguma merda machista.
3. Quando um gordo sobe numa balança e ela indica seu sobrepeso, não sou eu o politicamente incorreto.
4. Neguinho safado é um cidadão afrodescendente politicamente incorreto por suas práticas antiéticas e prejudiciais a seus semelhantes.
5. Na Bahia, os movimentos sociais recrudescem até o meio-dia, quando, então, amainam, até encontrar uma rede, um ensaio do Olodum, ou a lavagem da escadaria da Igreja do Bonfim.
6. Os camarões pitus criados em Itu, sem exagero, são do tamanho de pirarucus.
7. Será que o movimento gay só dá para trás, ou experimenta algum progresso?
8. Machista, quando broxa, se sente mais acabado que bicha aposentada.
9. A prática recente da adoção de crianças por casais gays implicará necessariamente na adaptação de toda teoria freudiana. Serão dois pais ou duas mães, o que, convenhamos, é demais para qualquer equilíbrio emocional.
10. Não há nada mais improdutivo que mesas-redondas sobre a última rodada do campeonato brasileiro de futebol. Nem mesmo um singelo lateral será revertido, malgrado todas as críticas fundamentadas dos comentaristas abalizados.
11. Numa derrota por goleada, não há nada mais desonroso que o famigerado gol de honra.
12. Pior que ser goleiro de time de várzea, é só servir para bandeirinha e ainda correr do lado que tem urtiga e pó-de-mico.
13. Na linguagem jurídica, uma transa vira conjunção carnal. O mesmo não se dá com a gramática.
14. Pressupor que, um dia, o ser humano dará certo comprova a ideia de que o ser humano é mesmo incorrigível.
15. Nada do que o Júlio César, goleiro da Seleção Brasileira, já pegou nos campos de futebol se compara ao que ele pega à noite entre os lençóis no recesso do lar. Ai, ai!
16. Pior cego é aquele que, além de não querer ver, pragueja contra a escuridão, xinga o seu autor e mete a bengala no cão-guia.
17. Quando você lança o anzol num rio, para pegar um peixe, e fisga um pneu velho, é sinal de que, além do meio ambiente, seu almoço está perdido.
18. Um coxo e um mentiroso são pegos facilmente. Só que, com relação ao mentiroso, se você não conseguir provas cabais, será certamente processado por calúnia, injúria e difamação.
19. Um mero placar de 1x0, mesmo conseguido de forma irregular, derruba todas as estatísticas de jogo que eram francamente favoráveis ao derrotado.
20. Haverá dia em que os pessimistas terão total razão, o que obrigará os otimistas, consequentemente, a se tornarem também pessimistas. E, assim, felizmente, não haverá mais a axé music.
21. Em toda ditadura, os que têm a dita mole se sentem de oposição?
22. Quando o Brasil se vir livre das duplas de sertanejos universitários, será sinal de que elas ou passaram à pós-graduação lato e stricto sensu, ou, melhor ainda, foram jubiladas da universidade


23. Politicamente correto é uma virtude cívica raramente encontrada em ambientes politicamente frequentados, tais como câmaras, assembleias, congressos, ministérios, secretarias e governos em geral.

8 de agosto de 2011

EXPLICANDO ALGUMAS EXPRESSÕES METAFÓRICAS

Todos que estudamos sabemos muito bem a distinção entre linguagem metafórica e linguagem referencial. A primeira, não custa repetir, é aquela que se vale de expressões cujo sentido tem similaridade com o real, embora ocorram com palavras que, com as crianças, por exemplo, podem levar a entendimento diverso. Seja o caso de abotoar o paletó, no sentido de morrer. A outra é o sentido próprio que a palavra tem, como morrer expressa o sentido de morrer, ora bolas!
Em vista disso, vou tentar explicar aos meus amigos leitores algumas expressões de caráter duvidoso, tanto no aspecto metafórico, quanto no referencial.

Reformar a área de lazer: Evidentemente que não se trata da bela, maravilhosa e vitaminada Adriane Galisteu na Playboy (ai! ai!) raspando novamente a sua área de lazer – a perseguida, após mais de uma década. Aqui se trata da ação profícua do síndico responsável, que vai cuidar do espaço usado pelos condôminos em suas atividades de lazer no prédio, nos momentos de ócio.
Alimentar esperanças: Esperança, essa virtude cristã que os cristãos transformaram em desejo de realizações materiais – casa na praia, viagem ao exterior e carro do ano –, obviamente não come nada. Simplesmente porque não é mamífero, réptil, pássaro ou peixe. Assim alimentar esperanças é atividade que exerce o pesquisador da natureza especializado em insetos – o entomologista –, que esteja fazendo trabalho com esperanças (Inseto ortóptero, de antena ger. mais longa que o corpo, pernas espinhosas e cor verde.*), grilos, louva-deuses e joaninhas. É preciso alimentar as esperanças, para que elas não abotoem o paletó antes do tempo, e a pesquisa chegue a termo.

Dividir a bola: Aqui, naturalmente, você pensará que se trata de expressão da linguagem futebolística e refira o lance vigoroso em que o zagueiro casca-grossa entre na disputa da bola com aquele atacante destemido. Não é este o sentido! Dividir a bola é o que faz o vizinho mal-humorado, quando pega a bola inadvertidamente lançada no jogo de crianças em seu quintal. Ele pega a faca, corta a pelota ao meio e a devolve aos pimpolhos, gritando: “Isso é para vocês aprenderem a incomodar os outros!”
Abandonar a carreira: Esta expressão, como a maioria há de pensar, não refere o fato de, por exemplo, Maradona ter deixado de ser jogador profissional de futebol, ou de qualquer ator ter deixado de representar suas peças e novelas. Antes diz respeito, também por exemplo, a Maradona ter largado o hábito de detonar carreiras e carreiras de certo pó branco. Ou mesmo a qualquer outro ator de teatro ou novelas. O que dá no mesmo, em sendo eles assim assaz diferentes em gênero, número, grau, porém semelhantes na cafungação.
Não é a lua (imagem em
contextolivre.blogspot.com).

Tapar buracos: Já esta expressão tem sentido totalmente metafórico, visto não fazer qualquer referência à fictícia atividade do Ministério das Trapaças, ou melhor, dos Transportes em recobrir os buracos das péssimas rodovias nacionais, as BRs, mas sim à nossa Presidente nomear novos servidores de honestidade comprovada e ética acima de qualquer PR, para ocuparem as vagas deixadas por antigos pilantras e salafrários que abusaram da boa fé do PT e se locupletaram com o dinheiro público, conforme amplamente divulgado e a legislação acoberta.
E aí, Mano, firmeza, meu?: Este tipo de cumprimento, muito comum em Sampaulo, aquela cidade que alaga durante o programa do Datena só para dar audiência, não é dirigido a um igual, a um brô, como se diz no Rio de Janeiro, esta cidade linda e maravilhosa cujo nome está para ser trocado para Bueiros Aires. É, ao contrário, o cumprimento dos jornalistas, ao participarem da soporífera e monocórdia entrevista coletiva com o atual técnico da valente seleção canarinho, o Mano Menezes, para explicar o fracasso em mais um jogo.

Arrebentar a boca do bueiro: Esta frase recém-criada substitui, na região metropolitana do Rio de Janeiro, capital do Estado do Rio de Janeiro, a antiga e desgastada expressão arrebentar a boca do balão e será usada nos mesmos contextos. Até porque, com o trabalho eficiente da polícia (hahahaha!), ninguém mais solta balões na região (hihihihihi!). Aí a expressão se tornou obsoleta – em Linguística, arcaica – e não se justifica mantê-la, quando há outro referencial – os bueiros da cidade – que lhe dá a base semântica.
Pinta lá em casa!: Esta frase já significou o desejo que o falante – carioca, pois não? – expressa em ter o ouvinte – outro carioca, seu amigo – como convidado em sua casa, para uma visita, um cafezinho, uma cerva gelada. Agora só é usada para combinar com o pintor de paredes, para fazer a nova pintura do bangalô, que anda mais sujo do que o Congresso Nacional. É que, ao usar a frase, nunca ocorreu que o ouvinte pintasse na casa do falante, porque não era realmente o desejo deste último. Uma coisa assim um pouco complicada para outros brasileiros entenderem, mas que, no fundo, significa: eu finjo que te convido e você me engana que vai (mais ou menos isso).


(*Definição do Dicionário Aulete online – aulete.uol.com.br.)