24 de maio de 2011

LABORATÓRIO POÉTICO

toma-se a palavra
massa sonora combinada com a palavra massa sonora
num ritmo inusitado.
puxa-se a ideia que subjaz
ao som ao balanço da frase.
de posse do ritmo
as palavra surgem como carneirinhos enfileirados
ou como manada de bois em louca correria
ou voam como gaivotas
ao som do vento que corta o ar
ou caem pesadas como elefantes
amedrontados pelo rato
ou penetram percucientes
tal raio laser filete de sol
Imagem em olharmais.blogspot.com.
ou chapam como cara batida no poste.
por fim doma-se o acasalamento
do som ao significado
no embalo do verso que se faz.
só então toma-se o papel para escrever.
depois ler reler mexer reler remexer
até aparecer sua face verdadeira
aquela que não esconde a ideia
antes a revela por meios translúcidos:
iluminação que toda palavra deve ser.

Um comentário:

  1. Gostei do exercício de prática poética. Uma equação devidamente resolvida... CQD.

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