28 de novembro de 2013

POEMA DE NOVA FRIBURGO

(Para Eduardo Campos e Rogério Barbosa)


Um dia ainda subo a serra
E ponho meu boi na sombra
Das árvores frondosas da Praça Getúlio Vargas.
Almoçarei todos os dias na Dona Mariquinha
- Exceto às segundas-feiras –
Embalado a tragos de Nega Fulô.
E quando a natureza se enfurecer
Precipitando casas e barrancos morro abaixo
Em meio a um borbotão de água barrenta
Irei cantar com um alaúde
No Cemitério Luterano
As incelenças por nossos mortos
E baterei à porta das autoridades
Para saber das verbas desviadas.
Irei com frequência a São Pedro e Lumiar
Olhar o luar parado sobre as montanhas
E com os amigos de sempre
Tomar vinho se o frio apertar.
Comprarei lingerie para a mulher que me ama
E pijama que me aqueça.
Direi versos de Osmar Barbosa
Em frente à Academia de Letras.
Comerei brioches fresquinhos da padaria
Da Praça Marcílio Dias
Sem preocupação (Sans Souci?) com a diabetes.
E para sempre enfeitarei a vida
Com as flores bonitas de Conselheiro Paulino.

Não me contenta ser a cidade apenas passagem
E não o destino dos sonhos que me assaltam
Ou dos caminhos vadios que mal percorro.

Flores de Nova Friburgo (foto do autor).

20 de novembro de 2013

HISTÓRIAS REAIS, MAS QUASE MENTIROSAS*



“1 O 2 SACO DE CAL”

Zezé Borges, figura das mais importantes na história de Bom Jesus do Itabapoana, tanto na política, quanto na econômica, tinha uma sortida venda, naquele tempo em que não havia crediário formal e as compras eram feitas por caderneta, que o devedor sempre levava a cada ida ao estabelecimento.

Certo dia, recebe ele um bilhete em mal traçadas linhas de um fazendeiro das terras de São José do Calçado, vizinha cidade do meu amigo Zé Antonio Lahud, em que solicitava o envio de certa mercadoria. O bilhete garatujado dizia, objetivamente, o seguinte:  “Amigo Zezé, mande 1 o 2 saco de cal. Do amigo Fulano”.

Zezé achou exagerado o pedido de cento e dois sacos de cal, mas imaginou que o amigo resolvera caiar toda a cerca da fazenda, não só para protegê-la, bem como para deixá-la bonita e vistosa. Como não tivesse tanto saco de cal, apenas cinquenta, providenciou a remessa do seu estoque, acompanhado de outro bilhete: “Amigo Fulano, seguem 50 sacos. Depois mando o resto. Do amigo Zezé”.

Quando lá chegou a encomenda, o fazendeiro estranhou muito e não aceitou a entrega, pois não fora nada daquilo que pedira. Resolveu aproveitar a carona do caminhão de entrega que voltava, para esclarecer com o próprio Zezé o mal-entendido.

Chegando a Bom Jesus, foi logo falando ao comerciante:

- Que isso, Zezé?! Ficou maluco?! Mandar aquela montoeira de cal, que eu nem pedi?!

Zezé pegou o bilhete e lhe mostrou, dizendo:

- Ora, você me pediu para mandar cento e dois sacos de cal.

- Não é nada disso, Zezé. Tá escrito aí: Zezé, mande um “o” dois saco de sal.

- Mas aqui você escreveu cal.


- É que eu esqueci a cedilha!
Imagem em pt.dreamstime.com.

O PORCO DO QUINIM

Quinim Freire, também proprietário rural, só que em Bom Jesus do Itabapoana, era um homem alegre, divertido, cheio de histórias um  tanto absurdas. Os ouvintes atentos de seus casos diziam que ele era um grande mentiroso, desse tipo folclórico do interior, que passa bom tempo da vida matutando patranhas para dizer aos outros.

Lá um dia, Quinim Freire contava que estava criando uns porcos de raça, coisa muito avantajada, que chegavam a um tamanho nunca visto por aquelas bandas. Era raça vinda das estranjas, como dizia. Gavou tanto a qualidade dos porcos que disse que um deles já tinha chegado a dezenove palmos de comprimento. Os ouvintes da história não acreditaram, sabendo quem ele era. Porém, muito convicto, garantiu que era verdade, que o porco tinha crescido muito, e começou a mostrar no balcão do bar do Salim, onde eles se reuniam para a prosa e o cafezinho, contando compassadamente os palmos de sua mão imensa, homem alto que era.

- Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito...

Aí parou para olhar o ponto de partida da contagem, já um pouco desconfiado ele mesmo, sabendo que não estava nem na metade do tamanho que garantira. Então, saiu-se com uma exclamação, para não deixar dúvidas:

- Eh, porco grande, sô! Nove, dez, onze...


O TELEGRAMA

O glorioso time do Liberdade Esporte Clube, na década de 50 do século passado, foi excursionar lá para os lados da Zona da Mata de Minas Gerais, lugar longe, só demandado em viagem de caminhão de várias horas por estradas ruins. Era viagem de três dias: num vai; noutro joga; no terceiro volta. Por isso o presidente do clube alvianil, orgulho da vila, solicitou ao chefe da delegação que, imediatamente após a contenda, passasse telegrama dando conta do score do match entre os dois teams, como se escrevia na época, as palavras ainda não aportuguesadas.

No final daquela noite de um domingo chuvoso, o presidente recebe o telegrama, vazado nos seguintes termos: “CHEGUEMO, JOGUEMO, NUM GANHEMO, NEM PERDEMO. EMPATEMO. ASSINEMO, NICODEMO.”

Tudo dentro da mais perfeita comunicação que se poderia esperar do chefe da ínclita delegação.


“PANARÁ OU PURITIBA”

Certo dia, adentrou a venda de meu pai um velho freguês, homem simples das roças que rodeavam a vila, querendo comprar uma caixa de fósforo. Minha mãe, no momento, era quem estava atendendo ao balcão.

- Dona Zezé, quero uma ca’ de fósso - que era como, mais ou menos, as pessoas simples falavam.

Quando minha mãe foi pegar a caixa de fósforo, o freguês manifestou uma curiosidade antiga:

- Dona Zezé, ondé que é a fábrica desse fósso? Ouvi dizê que é no Panará.

Minha mãe, então, foi olhar no rótulo e lhe disse:

- É isso mesmo. Aqui está: fábrica em Curitiba.

Então ele replicou imediatamente:

- Ah! bão, então é em Puritiba e não no Panará.


(* Ou seria o contrário?)



17 de novembro de 2013

FIQUE ATENTO

Fique atento ao mar
Aos seus sinais
À mudança da cor das águas
Às nuvens negras que se vão formando no horizonte. 
Fique atento ao vento
Que sopra daquele sinistro lado
E vem trazendo notícias de pesadelos.
Fique atento ao temporal
Que brota de repente nos contrafortes dos montes
E traz consigo dor e pranto.
Fique atento ao tempo
Que escorre sem barreiras no calendário
E passa sobre nós como um torpedo
Como um vagalhão
Como um trem de carga desgovernado
E aí
Não haverá mais jeito.

The Black Flight - Asger Jorn
Asger Jorn, The black flight, 1955 (em wikipaintings.org).
 

13 de novembro de 2013

CACHAÇAS E SEUS SABORES

(Para o amigo lusitano Alfredo Moreirinhas, que anda tomando aguardente industrializada lá na Terrinha e achando bom.)
Vim do interior, onde aprendi a apreciar cachaça, apesar de toda a carga social negativa sobre ela. Mas conhecia pessoas que a tomavam e não se degradavam socialmente. Meu tio Aurélio, por exemplo.
Ele foi um dos meus mais queridos tios. Casado com a tia Toninha, irmã da minha mãe, era proprietário rural em Carabuçu e não passava sem sua cachacinha às refeições. Fora disso, nunca o vi beber. Nem cerveja.
Quando éramos pequenos - eu e seus dois filhos: Délbio e Zé Luiz -, ele nos permitia tomar pequeninos goles, em canequinhas de ágate, também ao almoço, para abrir o apetite. Hoje talvez isso fosse politicamente incorreto, imprudente, inapropriado. Ao entrarmos na adolescência, ele não o fez mais, com receio de que pudéssemos virar pinguços.
Passei, então, alguns bons anos sem colocar um só tiquinho de cachaça na boca, até que atingi a maioridade.
Sempre gostei da bichinha, que tomo com prazer e temperança, saboreando o gosto forte que ela deixa na boca. Meu paladar é afeito a sabores marcantes.
Aprendi, por exemplo, que cachaça boa não precisa queimar a garganta. Não desce escalavrando a traqueia. Não adormece as papilas gustativas; antes, as atiça, de modo a que se desfrute do tira-gosto apropriado logo a seguir. Acho imprudente tomar qualquer bebida alcoólica, sem algo a acompanhá-la, ainda que seja água mineral.
E já bebi cachaças maravilhosas por essa vida afora.
Uma delas atendia justamente pelo nome de Maravilhosa e me foi oferecida por meu ex-aluno Pascotto, de Miracema. Seu pai, proprietário da Fazenda Maravilha, era produtor de cachaça, e ele me presenteou com uma que fora embarrilada no ano de seu nascimento, havia vinte e poucos anos. Era propriamente um néctar de cana. Infelizmente, não é mais produzida.
Outra, descoberta ao acaso durante almoço comemorativo do aniversário da professora da minha filha, era tão boa, que não estranhei o preço de cada dose medida em dedal de costureira que tomei: à época, isso faz uns oito/dez anos, foi  R$13,90. É a cachaça Montanhesa Premium, produzida em Araguari, no Triângulo Mineiro.
Meu amigo gringo Kenneth trouxe do Rio Grande do Sul a 30 Luas, envelhecida por trinta meses em barril de carvalho. Cachaça soberba, desce macio, arredondada, sem esporear a garganta, como se esperaria de uma pinga gauchesca.
Nessa trilha do sul, encontrei outra gaúcha, de Santo Antônio da Patrulha, na Cachaçaria Tonel e Pinga, em Niterói: Moenda Nobre. Apresentada em bela garrafa de 500ml, essa cachaça também passa por barris e tem sabor marcante.
Ainda desta cachaçaria, adquiri a Menina do Rio Ouro, produzida em Sapucaia-RJ. Na cor âmbar, translúcida como só, ao primeiro gole, tive um insight: é bonita e cheirosa como a Camila Pitanga, uma verdadeira menina do Rio. Embora nunca tenha cheirado essa belíssima atriz, com a imaginação, é possível deduzir isso.
Outra, paulista de Bananal, é – ou foi – a Santa Inês. Soube que, por questões mercadológicas, teve de trocar seu nome, conquanto ainda possa ser encontrada em pesquisa na Internet. Da mesma região, em Cunha, trouxe em belíssima garrafa de cerâmica a Empório Renzi, acompanhada de certificado de procedência. Mas sem garantia do conteúdo, que foi detonado durante uma feijoada oferecida aos amigos.
Há coisa de trinta dias, apareceu o amigo bissexto Cássio, num domingo de manhã. Conversa vai, conversa vem, antes que eu lhe oferecesse um cafezinho – eram dez horas –, ele perguntou se eu tinha uma boa cachaça. Aqui em casa é o que não falta. Abri as garrafas da Volúpia e da Bocaina, que havia trazido de Minas, e ficamos na segunda, originária de Lavras-MG, por várias doses homeopáticas, com o papo rolando solto. A Volúpia, também uma excelente bebida, produzida em Alagoa Grande-PB, fica para outro dia.
Em Tiradentes, há alguns anos, durante o Festival de Cultura e Gastronomia, conheci a Vale Verde, de Betim-MG, também extraordinária, que foi eleita pela revista Playboy como a melhor cachaça do Brasil. Comprei lá duas garrafas, uma das quais presenteei à minha irmã Cristina.
Agora foi a vez de ela me retribuir o mimo e, por ocasião de nossa volta àquela cidade mineira, associou-se à nossa sobrinha Fernanda para me dar a Vitorina, que ainda não experimentei, mas já vem com a melhor das recomendações: a dona da Cachaçaria Confidências Mineiras confessou-lhe que é a de que mais gosta. Como a Volúpia, está com os dias contados. Vem aí a festa de Thanksgiving do meu amigo gringo e acabo levando uma delas para lá. Thanksgiving climatizado nos trópicos!

A bela garrafa da 30 Luas (em costibebidas.com.br).

11 de novembro de 2013

ETZINHOS

Há um pequeno óvni prateado sobre a soleira da porta dos fundos.
O sol esturrica tudo. Até os meus miolos. O sangue corre em minhas veias com estrépito de corredeiras. Meu olhar dardeja.
Ainda há pouco, por entre as flores baças do jardim, vi diabinhos encarnados a fofar a terra com seus tridentes coruscantes. Eles me pareceram óbvios demais para infernizar qualquer coisa.
Um pouco depois, os etzinhos iridescentes, descidos da minúscula espaçonave tremeluzente, caçavam os diabinhos verdolengos, com suas armas de raios gama.
Fico sentado à varanda, tomando litros d'água e assistindo à cena, protegido por óculos escuros, até que a ressaca passe.
Aí os etzinhos esplendecentes entram no pequenino disco voador dourado, levando reféns cerca de treze diabinhos púrpuras, que servirão de escravos em seu planeta minguante.
O restinho dos eflúvios do álcool no meu sangue ainda traça a língua flamejante expelida pelo motor iônico da pequenina nave espacial alvinitente, que desaparece por entre as nuvens escuras do meu cérebro conturbado.
Por essa hora, já pelas cinco da tarde, o sol laranja quase morto, durmo profundamente sobre a espreguiçadeira de cana-da-índia, aliviado da combinação estapafúrdia de cachaça com vinho tinto da madrugada anterior.

Quando acordar, espero ver apenas as cores fundamentais do espectro solar.

Imagem em galeria.colorir.com.

8 de novembro de 2013

INVENTÁRIO INÚTIL

Um prego torto
Um grampo de cabelo enferrujado
Um fósforo riscado
Um extrato bancário antigo
Um pendura de cliente morto
Um pneu careca vazio
Um sapato roto
Uma garrafa de uísque seca
Um coador de papel furado
Um volante de loteria vencido
Um ferro de passar queimado
Uma agulha rombuda
Uma navalha de corte virado
Um cilindro de gramofone
Um mimeógrafo a álcool
Um bonde puxado a burro
Uma roca com seu fuso
Um guardanapo de papel borrado
Um beijo não dado
Um arrependimento tardio
Um coração baldio
E todos os amores do passado

Deux esquifs en pleine mer
George Lapchine (1885-1931), Esquifes no mar (em shellantique.com).

5 de novembro de 2013

À BOCA DA NOITE

É tão tarde. Pela noite
Que a tudo escurece
Sem brilho sem luz sem vela
Segue a caminho da morte
Aquele que se revela
A cada passo que dá
Aquele a quem não se olha
Distante seu caminhar
Como quem parte escondido
De todos os semelhantes
Que dessemelhantemente
O desconhecem de fato.
E seguem aquele que mudo
A palavra em rasa boca
Molhada pela saliva
Se cala na viva voz
Aquele que nunca ouve
A boca porta fechada
Ouvidos ávidos fartos
Dos sons dos outros que falam.
E segue à morte anunciada
O que não diz e só ouve
Como se a fala lhe fosse
Pesado fardo a levar.
E bem tivesse palavra
O que escorre da boca
Num borbotão do pensar
Mas cala como se fosse
O som daquilo que fala
Mesmo sentido que tosse
Mais profundo que a bala
Que lhe atravessou a boca.

Noite sobre a Praia dos Ossos (foto do autor em flickr.com/photos/saint-clairmello).


2 de novembro de 2013

SARITA MONTIEL DE ARAQUE

Chamava-se Marilu, mas queria mesmo era se chamar Sarita Montiel e estufar os seios fartos em decotes generosos, a boca breada de batom vermelho. Encasquetou-se com isso, logo depois de assistir ao filme La violetera, com a então famosa e encantadora atriz e cantora espanhola.

Decisão tomada, comunicou às amigas que, a partir daquele instante,  queria ser  chamada de Sarita, e disso não abriria mão.

Os mais novos, que não viram o filme, não sabem do que estou falando, não aquilatam a relevância do assunto. A figura de Sarita Montiel ocupava desde o cartaz do filme afixado à parede do majestoso Cine Monte Líbano, até a tela, a sala de projeção, bem como os sonhos dos jovens e a inveja das mulheres. Era coisa de cinema! Uma visão portentosa!

Deste modo, Marilu, aliás Sarita doravante, mudou todo o seu guarda-roupa, renovou a maquiagem e providenciou penteado compatível, a fim de evidenciar, ainda mais, a possível semelhança que vislumbrava ter com a espanhola famosa.

E foi assim, emperiquitada de Sarita, que adentrou o salão de bailes do seleto e refinado Aero Clube de Bom Jesus, quando a Orquestra Românticos de Cuba executava Besame mucho

Foi uma devastação o que ali se produziu. Não houve cabeça que não se virasse em direção àquela manifestação de fama, beleza e glória. Mais de um rapaz, inclusive, chegou a engolir o cigarro mal acabado de ser aceso. Uma e outra despeitada, ao retocar o batom, teve um siricotico de fazer risca vermelha em queixo caído. O tocador de pistom, esse então, não conseguiu segurar a nota longa da canção e teve de ser socorrido com falta de ar. O baile só não parou porque o presidente do clube, Taumaturgo Tavares, chegado um pouco antes, exigiu compostura dos membros da orquestra e dos dançarinos.

Sarita dirigiu-se à mesa reservada, através de um corredor aberto na diagonal do salão, soberana e envaidecida. Nunca ninguém, em tempo algum, até aquele exato momento, tinha causado tanto reboliço nas dependências do Aero Clube. Nem na eleição da rainha da Festa de Agosto de 1960, quando duas belas candidatas, disputaram voto a voto o escrutínio, com suas torcidas entusiasmadas.

O problema, no entanto, surgiu no dia seguinte, na ressaca do baile, como se diz. Bom Jesus passou a não ter mais rapaz algum que, de longe, se arvorasse em candidato ao coração de Marilu, ou melhor, Sarita. Isso, no entanto, ela só percebeu com o passar dos dias, das semanas e dos meses. Até que resolveu perguntar à sua amiga mais chegada o motivo de já não receber galanteios. Maria Célia foi sincera, foi taxativa:

- Sarita, com a ostentação que a sua pessoa adquiriu, ninguém tem peito nem pra chegar perto de você. Nossa cidade ficou pequena para o seu esplendor. Aqui você vai acabar sozinha, igual à Mona Lisa: admirada, mas intocada.

Sarita tomou um susto, quase desfaleceu. Não investira tanto para ficar pra titia. O objetivo era, justamente, o contrário. Mas, percebendo que a amiga estava forrada de razões, na semana seguinte deliberou fazer as malas e se mudar em definitivo para Niterói, na certeza de que o campo era maior para esparramar sua formosura sem par.

Quando lá chegou, teve decepção ainda maior: os mancebos da terra de Arariboia, a antiga e leal Vila Real da Praia Grande, estavam todos apaixonados por Barbarela e Jane Fonda, ao mesmo tempo, e disso também não abriam mão!


A atriz espanhola Sarita Montiel, no auge da beleza (em ofalcaomaltes.com).