12 de agosto de 2011

SEIS NARRATIVAS CURTAS TÃO CORRETAS, QUE NÃO DESPERTAM A MÍNIMA SUSPEITA!

Imagem em cobatest.org.
1.      O GORDO - O gordo passeia pelo parque, espreitando todos os que por ele passam. Há um bom número de pessoas mais magras do que ele. Várias moças bonitas e de corpos trabalhados. Outro tanto de rapazes sadios, com a expressão de quem faz esforço ao correr. Umas senhoras em traje esportivo e uns senhores de bigode aparado e barba bem escanhoada com seus tênis limpinhos. Um bando de meninos que, ao chutar a bola com que brincava, acerta as costas do gordo, que teve ganas de cortá-la com um canivete. Porém ele não o tinha. Chutou a bola de volta e saudou as crianças com a mão aberta. Daí a pouco, após atravessar a alameda de palmeiras e a rua marginal ao parque, entrou na churrascaria e refestelou-se com um churrasco rodízio e torneiras de chope à vontade. Pensou que um dia morreria como todos aqueles atletas de fim de semana, igualzinho a qualquer um, e mordeu um naco de picanha com todos os dentes da boca.

2.      O CEGO - O cego chegou tateando a parede da direita da lanchonete, bengala na mão esquerda. A mocinha que servia à mesa ajudou-o a encontrar um assento. Ele se acomodou e pediu certo tipo de sanduíche da promoção, acompanhado de batatas fritas e refrigerante. Aguardou pouco tempo. Ao receber a encomenda, solicitou à mocinha simpática e prestativa que colocasse sua bandeja em determinada posição, para facilitar. Comeu tudo, tomou seu refrigerante, pagou a conta e saiu tateando a parede da esquerda, bengala na mão direita. Caminhou mais um pouco e tomou a condução que o levou de volta a casa. Fez como qualquer pessoa que enxerga, mas teve um distúrbio gástrico, porque não deveria ter-se empanturrado com tanta fritura, como lhe recomentara o médico.

3.      O GAGO E O SURDO - O gago, ao chegar à farmácia, um tanto esbaforido, não conseguiu pedir o remédio que lhe fora solicitado comprar por sua mãe, senhora já de certa idade e chegada a uns medicamentos mais antigos: elixir paregórico. Gaguejou tanto que acabou levando alka-seltzer, porque foi, mais ou menos, isso o que o surdo atendente compreendeu. Contudo demorou tanto na tarefa que, ao chegar de volta a casa, o distúrbio de sua mãe já se curara. Então ele aproveitou que tinha o efervescente à mão, deitou-o em um copo d’água com açúcar e algumas gotas de limão e tomou como se fosse refrigerante.
Imagem em gartic.uol.com.br.

4.      OS DOIS NEGROS - O jovem negro solicitou a parada do ônibus, acionando o botão colocado no corrimão superior. O motorista, também negro, olhou pelo retrovisor e o viu levantando-se do lugar onde estivera sentado durante toda a viagem. O passageiro pediu licença para passar entre dois outros passageiros de pé e de costas um para o outro, até chegar à porta de saída. Agradeceu ao motorista que, no momento, enxugava o suor do rosto com uma toalha do seu time de futebol, que era também o dele, jovem. Deu um sorriso maroto para o motorista e comentou sobre a derrota da noite anterior. O motorista arrancou com o ônibus, um tanto chateado, mas sabia que ali ia um camarada seu.

5.      A BRANQUELA E O MULATO - A branquela ajeitou o cabelo cortado modernamente, antes de entrar no elevador que a levaria para a entrevista de emprego. Já dentro do elevador retocou o batom suave sobre os lábios generosos, sob os olhos atentos do cabineiro, com idade para ser seu pai. Ela havia solicitado o andar da loja de produtos eróticos, o que levou o ascensorista a pensamentos libidinosos com a branquela. Ao chegar ao andar e notar que havia errado, a mocinha branquela disse para o ascensorista mulato que seria no andar de baixo, onde ficava o laboratório de análises clínicas e anatomia patológica. O cabineiro deu um sorriso amarelo e comandou a descida do elevador até o andar solicitado. E, lá no fundo, deve ter-se arrependido de ter pensado besteira.

6.      O CADEIRANTE - O cadeirante, alguns pensaram, iria fazer discurso na calçada, ao lado do acesso para portadores de necessidades especiais. Cinco transeuntes pararam para ouvi-lo, na certeza de que ele iria perorar contra o descaso dos governos municipal, estadual e federal com a causa de seus semelhantes. No entanto, sem que nenhum deles intuísse, o cadeirante abriu a mochila que trazia e começou a distribuir panfletos sobre a inauguração de mais um restaurante a quilo na próxima esquina. O que fazia, aliás, com um alarde impensável para um mero restaurante a quilo. Com isto, o cadeirante garantia almoço grátis durante o período da propaganda. Os transeuntes politicamente corretos pensaram em reclamar com o cadeirante, porém julgaram isto politicamente incorreto. E ficou tudo por isso mesmo!

19 comentários:

  1. Olhar pungente, Saint-Clair. As minorias são apenas isto: minorias e nem por isto deixam de ter humanidade.

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    1. Cara Bruna, você pode até não ter gostado, que é um direito seu, mas que são narrativas, ah!, isto são.Pode ter certeza. Não são romances, novelas ou contos, mas são narrativas.

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    2. Pois é! São narrativas , e me ajudaram muito , obrigado - colocarei o nome da página no meu caderno , como créditos , obrigada mais uma vez :)

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    3. Obrigado, Bruna! Fui ver seu perfil e notei que você é uma garota ainda. Deve estar interessada em algo assim. Só quis ajudar. Se precisar, disponha.

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    4. é sim Bruna Cazuza se você não sabe volta para o jardim I Não vai ser o jardim II vai ser o jardim I

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    5. Obg me ajudou no trabalho de português

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  3. este é que tipo de narrativa? alguem por favor me responda..

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  4. vlw me ajudo no trabalho da escola e a bruna cazuza ta no mundo da lua por falar q nao é narrativa e eu so tenho 11 anos mas vlw

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    1. Você, jovem anônima, pode ter certeza de que são narrativas. São curtas, pequenas, mas são narrativas. Narrativas contam histórias, contam um fato ocorrido ou inventado. Uma piada, por exemplo, é uma narrativa, mesmo sendo pequena. O tamanho não importa, mas o conteúdo. Abraços, anônima de onze anos! Ou seria anônimo?

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  5. Valeu, precisa de ideas para fazer uma pequena narrativa mas sem copiar, e esse site me ajudou bastante. Obrigado ! :))))

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    1. Relison, excluí seus comentários porque um era um palavrão gratuito e o outro não dizia absolutamente nada. Passar bem!

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  7. Nossa eu gosei muito dese site pq me ajudou basante para procurar algumas narrativaa. Portanto eu recomendaria esse site sim gostei das narraivas são muito boa

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  8. essa e a narrativa em 1ª pessoa certo ?

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    1. Não, anônimo! Todas essas narrativas são em 3a. pessoa, o chamado narrador onisciente.

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