7 de março de 2012

A QUEM DAREI A MÃO NO FIM DO MUNDO? (Reflexão final do trabalhador explorado)

A quem darei a mão no fim do mundo
À beira do abismo
Tempo dos tempos
A quem me ama
A quem me quer
A quem me odeia
Ou a meu patrão que me explora?

A quem darei a mão no Armagedon
A quem me trai
A quem me trisca
A quem me afaga
Ou a meu patrão que me aniquila?

A quem darei a mão no juízo final
A quem eu procriei
A quem eu devotei a vida
Ou a meu patrão que me deixou morrer à míngua?


Cândido Portinari, O café, 1935 (imagem em artesanatonarede.com.br).

Um comentário:

  1. Esse troço de poesia não dá para comentar. Só adjetivar: Belíssima!

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