3 de janeiro de 2011

NESTA MANHÃ TRANQUILA DE FRIO E CHÁ


Nicolas de Staël, Natureza morta em
cinza, 1955, coleção particular.
Nesta manhã tranquila de frio e chá
Há sofreguidões impercebidas
E planos de suicídios coletivos

No ar
Borrifos de fumaça de odor invisível
E no meu coração
Todas as escleroses deste tempo

Não sou passado nem futuro
Mas o presente teima em se anunciar duvidoso

O mais que tenho agora ou que me falta
É tão singelo que não produz um poema

Só os planos do governo
E o desespero geral que eles geram
Conseguem reverter as expectativas
E anunciar que a vida não é só as dores de que disponho
Pode ser um copo d’água contra a sede
E um carinho sussurrado em meu ouvido



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