9 de julho de 2011

MARINHAS (III)

XI

à beira mar encontram-se os amores prometidos
em suas areias se deitam
em suas águas se abraçam

daqui do décimo terceiro andar
apenas escuto o barulho das ondas incessantes
e desconheço por completo
as promessas que se fazem
e os carinhos que se trocam


XII

fez-se portugal ao mar
num arroubo de aventura.
meu coração
que de lusitano tem somente as dores e a saudade
apenas geme
por não poder navegar
as ondas salgadas que vertem dos olhos verdes
da menina vestida de solidão.


XIII

toda maravilha e grandiosidade do oceano
morrem apequenadas
entre as palafitas da favela miserável
que mal de sustenta de pé
à beirinha da maré


XIV

fraga e bruma debruçam-se sobre as ondas
e a barra da baía é somente uma certeza
de chegar e sair
sua visão está tomada pelas nuvens baixas
apenas as gaivotas percebem que a chuva vem
e umedecerá as ressecadas águas da guanabara
Foto por Suely Capovilla em flicker.com/photos/suelycapovilla.

Um comentário:

  1. Colírios, colírios para os meus olhos cansados de fuligem e saudosos de beleza, beleza lúcida, compassiva e solidária.

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