8 de maio de 2012

MI VIDA, MI TORMENTO

Tenho ascendência nobre
Só não esnobo, porque sou pobre.
Parece letra de samba,
Mas é a mais pura verdade.
Vejam só meus argumentos.
Dentre meus contraparentes
Que se empilham em meus ombros,
Herói com seus desassombros,
Está até Tiradentes,
Primo do padre Germano Xavier,
Que vem a ser avô do meu bisavô.
Não me perguntem entre dentes
Como é que isso se deu.
Só sei que esse meu tetravô
Na pele de homem de Deus
Tanto fez e aconteceu
Que seduziu bela donzela
De mui ilustre família
Da antiga Bom Jesus.
E aí deu no que deu
E foi um deus nos acuda.
Nove meses decorridos,
Nasceu-lhe lindo rebento
De femininas virtudes
Que recebeu no batismo
O nome simples de Rita.
Um dia, já bem crescida,
Rita casou-se com tal Figueiredo,
De primo nome Manuel,
Que era sobrinho neto
Do Visconde de Ouro Preto,
Afonso Celso de Assis Figueiredo.
Reparem que este enredo
Vai mostrando minha estirpe.
E, no entanto, continuo
Tão simples quanto no início.
É que não tenho por vício
Querer parecer gabola.
Da. Rita e seu Manuel
Obraram dentro dos planos
E, dentro de poucos anos,
Nasceu-lhes aquele que iria
Daí não sei quantos janeiros
Tornar-se meu bisavô:
Antônio Olímpio de Figueiredo,
Que, de seus filhos para baixo,
Netos e bisnetos incluídos,
Era por todos chamado
De modo muito afetivo
Apenas por Papai Antonico.
E dessa fonte brotou
Filharada quase infinda
Cheia de muitos varões,
Da sua primeira união:
Cícero, Tônio, Raul e Chiquito,
João, Tieca e Carlito,
E apenas uma filha: Julinda,
Que certo dia se encontrou
Com José de Souza Machado
E sem mais essa ou aquela
Formaram nova família
de muitos novos rebentos:                                          
Colola, Bily, Aldany,
Alda, Toninha, Aílton,
Cate, Paulinho e Louro,
E, no meio desse bolo,
Bem lá no meio: Zezé.
Por isso que, desde então,
Não sendo rei nem rainha,
Passaram a ser chamados
De jeito muito brejeiro:
Maína e Papai Juquinha.
Roncava 45 no meio da Grande Guerra,
Quando Zezé e Argemiro,
Sem esperar armistício,
Resolveram se casar
Antes de a guerra acabar.
Como a história não para,
Menos de dois anos depois,
Olha só quem dá às caras
Em comemoração à paz: eu!
E paro por aqui esta história
Que por certo não tem fim,
Porque também fiz das minhas.
Continue-a quem quiser
Que vier depois de mim.

Imagem em jacksonangelo.blogspot.com.

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