29 de julho de 2013

TURISTAS, OH! OS TURISTAS! (Crônica de Paris III)

Pôr do sol em Paris, com o Sena e suas pontes (foto do autor).

Vendo a multidão de turistas que invade Paris no verão, fico imaginando o que não deve sentir o habitante da cidade.

Eu, com certeza, não quero isso para a minha. Podemos até mesmo viver um pouco menos rico, com o dinheiro que certamente eles trariam. Mas vivemos muito mais confortavelmente.

Com certeza os que vivem do turismo até toleram o desconforto de tanta gente, que fala as mais estranhas línguas do planeta, já que o dindim faz suas caixas registradoras tilintarem. Mas o morador comum, aquele que tem de tocar sua vida regularmente, cumprir seus afazeres diários, deve odiar esta invasão de novas hordas de bárbaros semicivilizados, que fazem de Paris a cidade mais visitada do mundo.

Não há recanto da cidade em que estive em que lá também não havia mais turistas. Eu mesmo, um deles! E, às vezes, embora gostando de cada passo pela cidade, me sentia um intruso a atrapalhar a rotina que faz o conforto dos moradores.

Já estou em Niterói. E agora cedo fui à rua andar para fazer alguma coisa e me deparei com alguns jovens que aqui estão para a Jornada Mundial da Juventude. Não são tantos quantos os turistas que infestam Paris no verão, mas já provocam uma mudança na vida da cidade, apesar de ainda não causarem o tal desconforto que imagino existir.

Lá, por exemplo, não conseguimos nem ultrapassar as roletas de entrada do Louvre, tal era a aglomeração de visitantes. Para subir à Torre Eiffel, enfrentamos uma fila serpenteante de mais de duas horas, até atingir o topo, onde já chegamos com nossa neta cheia de sono. E demos, apenas, uma vista d’olhos lá de cima. Nos parques Euro Disney e Asterix, novas filas e atropelos. Parece que a infância e a juventude da Europa marcaram encontro na mesma data nesses locais.

Pouco andamos de metrô. Preferimos os ônibus, para que pudéssemos ver melhor a cidade. Nesses, no entanto, o sufuco não foi tão grande, até porque as linhas também não atendem todos os pontos da cidade com a eficiência do transporte sobre trilhos.

A glória de ser a cidade mais visitada talvez não seja um motivo de orgulho para os parisienses. Ao contrário, talvez constitua uma grande chateação em suas vidas.

De qualquer forma, sempre que tiver oportunidade, darei uma passada por lá, porque não tenho culpa por eles terem feito uma cidade tão interessante. O que posso prometer é não fazer como um bando deles faz: sujar as ruas da cidade com o descarte de garrafas de água, papeluchos, restos de coisas.

Pelo menos, neste ponto, sou um turista um pouco menos inconveniente.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. As épocas de menos turistas são imediatamente antes e depois da Páscoa e o melhor mês deve ser o de Outubro, ainda não está muito frio e há relactivamente poucos turistas.
    O Louvre, só depois do arquitecto japonês Ieoh Ming Pei o ter organizado e construido a Pirâmide que também dá acesso ao museu, é que se tornou um museu de fácil visita, antes era um local para esquecer!... Era o museu mais mal organizado do mundo! Hoje, mesmo com muitos visitantes dá para ver o que queremos!

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