É tão tarde. Pela noiteQue a tudo escureceSem brilho sem luz sem velaSegue a caminho da morteAquele que se revelaA cada passo que dáAquele a quem não se olhaDistante seu caminharComo quem parte escondidoDe todos os semelhantesQue dessemelhantementeO desconhecem de fato.E seguem aquele que mudoA palavra em rasa bocaMolhada pela salivaSe cala na viva vozAquele que nunca ouveA boca porta fechadaOuvidos ávidos fartosDos sons dos outros que falam.E segue à morte anunciadaO que não diz e só ouveComo se a fala lhe fossePesado fardo a levar.E bem tivesse palavraO que escorre da bocaNum borbotão do pensarMas cala como se fosseO som daquilo que falaMesmo sentido que tosseMais profundo que a balaQue lhe atravessou a boca.
![]() |
| Noite sobre a Praia dos Ossos (foto do autor em flickr.com/photos/saint-clairmello). |

Nenhum comentário:
Postar um comentário