2 de junho de 2013

O JOGO SERÁ ENTISIOSPÉTICO

(Publicado originalmente em Gritos&Bochichos em 22/3/2010.)
 
Lá pelo início da década de 60, ocorreu esse fato verídico, que vou tentar contar com a maior fidelidade possível aos acontecimentos.
Havia em Bom Jesus do Itabapoana um órgão do governo federal denominado SAPS, que cuidava da venda de alimentos de primeira necessidade a preços mais baratos, porque isentos de impostos. Tinha a agência do SAPS como gerente uma figura bastante folclórica, ligada ao antigo Partido Trabalhista Brasileiro do então governador, Roberto Silveira, pai do ex-prefeito de Niterói, Jorge Roberto.

Todos sabiam que o cargo lhe tinha sido dado pelo fato de ser um dos quadros do partido, ainda que bem pequeno e lá no interior norte do Estado, já que não era portador de maiores condições intelectuais para a empreitada.
Certa vez, programou-se uma partida de futebol, de caráter amistoso, entre os funcionários do SAPS de Bom Jesus e do SAPS de Itaperuna, cidade vizinha.

Para divulgar a partida, o tal gerente (permitam-me omitir-lhe o nome em consideração a seus descendentes) dirigiu-se à Tipografia Almeida para solicitar a confecção do cartaz alusivo à contenda. Levou todo o texto pronto.
O sócio da tipografia reproduziu no cartaz exatamente o texto que o gerente do SAPS lhe entregou, talvez até por picardia, sabendo quem era o homem.

E saiu bem no meio do cartaz, do tamanho de meia folha de jornal, em caixa alta: O JOGO SERÁ ENTISIOSPÉTICO.
Pedrinho Teixeira, homem de muita cultura, dono de uma vasta biblioteca que herdara de seu pai e proprietário de uma farmácia na Praça Governador Portela, próxima à agência do SAPS, pesquisou em todos os seus dicionários e enciclopédias, sem conseguir encontrar o sentido da palavra entisiospético. Consultou, por carta, o programa da Rádio Nacional, de muito sucesso à época, “Seu Criado, Obrigado!”, que se dispunha a esclarecer as mais diversas dúvidas dos ouvintes espalhados por esse Brasilzão afora. Dias depois, “Seu Criado” foi obrigado a reconhecer que, apesar de todo esforço, não conseguira encontrar tal palavra na língua portuguesa.

Diante de todos esses fatos, Pedrinho Teixeira não teve dúvidas em procurar o gerente do SAPS para, enfim, descobrir que sentido tinha a palavra.
Sem titubear, o gerente lhe disse do alto de sua sapiência:

- Pedrinho, logo você, um homem culto, dono de uma biblioteca tão grande não sabe o que significa.
Pedrinho, humilde, teve de confessar:

- É... de fato, não sei! Nem eu, nem o “Seu Criado, Obrigado”.
- Ora, Pedrinho, entisiospético é uma coisa assim meio incrisocrônica!

E deu-se o diálogo por findo, o gerente soberano em sua sapiência. E todo o povo de Bom Jesus e adjacências continua, até a presente data, sem saber que diabos significam essas palavras.
Imagem em inglesonline.com.br.

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