Sonhou com discos voadores, seres de outros planetas,
viagens em outras dimensões. Acordou sobressaltado pela madrugada, tão
nítidas as imagens. Foi à cozinha, tomou um copo d’água, voltou a deitar-se.
Sonhou novamente com o mesmo assunto. Agora em outras peripécias. Entendia as
mais estranhas formas de comunicação, relacionava-se com os seres mais
inusitados. Acordou exausto pela manhã. Contou tudo à mulher, que lhe disse
quem mandou você comer feijoada no jantar? É nisso que dá! Não fora a feijoada,
ele sabia. Contou para os colegas de trabalho. Foi o filme da tevê, afirmaram.
Ele sabia que não era nada disso. O sonho muito nítido, muito detalhado, muito
cheio de significados.
Na noite seguinte, tornou a sonhar com os tais seres e
máquinas. E assim sucessivamente, durante quase um mês, quando então resolveu
procurar uma analista, um ufólogo, um parapsicólogo, um pai de santo, um
sensitivo. Cada um deu uma explicação. Nenhuma delas convincente.
Ao cabo de dois meses, sem mais suportar tais sonhos,
deu de tomar bolinha para não dormir. As noites em claro começaram, então, a revelar-lhe
espectros, sugestões sonoras desconhecidas, sensibilidades imprevistas. Decidiu
juntar-se às tribos da noite em boates, cabarés, inferninhos, casas de massagem.
Mais e mais captava estímulos especiais. Tinha-se convertido em para-raios
humano de todos os medos do desconhecido, de todo o inexplicável.
Em menos de seis meses, seu corpo já emitia uma luminescência
fosforescente e todos os objetos vibravam à sua aproximação. Inesperadamente ou
não, começou a flutuar e a atravessar paredes e muros, até desfazer-se no ar
num facho de luz brilhante que, tal um cometa, sumiu por entre as trevas da
noite.
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