18 de agosto de 2016

MEDALHA PINÓQUIO


Estava correndo os olhos sobre o caderno especial das Olimpíadas de um jornal carioca e me deparei com a foto da namorada do nadador norte-americano, ganhador de medalha, que registrou boletim de ocorrência por um suposto assalto que ele e mais três companheiros teriam sofrido, numa manhã olímpica dessas aí.
E senti pena do cara. Ele ganhou a medalha e perdeu a namorada, que não engoliu a desculpa esfarrapada, mal e porcamente alicerçada na famosa insegurança carioca, que o mancebo criou, a fim de justificar a volta tardia para a concentração. Aliás as imagens das câmaras de segurança do momento da reentrada do Quarteto Pinóquio na Vila Olímpica, veiculadas por jornal britânico, são peça a desmontar a versão dada.
Segundo me parece pelo que o zunzunzum murmureja, os quatros foram para a esbórnia, perderam a hora – o abestado deixou sua belíssima namorada esquentando travesseiros no hotel – e não lhe sobrou alternativa a não ser, para aliviar a barra, colocar mais uma caca no já combalido prestígio da nossa segurança pública. Para maquinar sua história, ele usou o princípio do “que é um peido, quando já se está cagado?”.
A ele o que importaria um assalto a mais, mesmo que a notícia tivesse eco internacional, sobretudo se não é seu país, se não se trata de sua cidade? Às favas qualquer prurido ético com os esculhambados brasileiros, mas não posso perder a coelhinha da Playboy!
E se lascou o mané! A notícia que li é que a bonitinha já deu linha na pipa e não quer mais saber do nadador-armador, que, inclusive, se escafedeu para o recesso do lar nos Esteites, antes mesmo que voltasse à delegacia para prestar mais esclarecimentos. O que aliás ocorreu com dois outros comparsas, me desculpem, companheiros de esbórnia, retirados do voo da volta, para abrir o bico diante da autoridade policial. Aos conformes, cambada!
É claro que este incidente não gerará nenhuma guerra como a que está gerando a defesa incondicional do Biscoito Globo. Não invadiremos a redação do jornal nova-iorquino, nem sua página na Grande Rede. Mas também há de repercutir quando a verdadeira versão dos fatos emergir do fundo dessa piscina turva.


PS: Este texto foi atropelado pelo contexto. Mais tarde soube pelo noticiário das rádios que a versão não foi a apresentada pelos rapazes. E ficou tudo muito pior ainda. (Agora são 21h59, momento em que acrescento este post-scriptum.)

2 comentários:

  1. Pois é.... tudo depende da zona de conforto. Tudo mundo é bonzinho até que saia do seu habitat. Aí ninguém é de ninguém e dane-se a verdade.

    ResponderExcluir
  2. Que coisa... o negócio tomou dimensões internacionais... De qualquer forma, ponto para o Brasil!

    ResponderExcluir