O que posso
Faço
O que não posso
Passo
E passo a passo
Vou no embaraço da vida
Desfazendo os laços
Daquilo que me intriga
E se não houver saída
Simplesmente torço
Para que todo o esforço
Que tenha despendido em vão
Me deixe lasso
Sobre o torso morno
Aconchegado fofo
Da mulher amada
No limiar do nada
Enquanto eu possa
Sobreviver da ilusão
De ter vivido um pouco
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Francisco Goya, A maja nua (séc. XVIII; Museu do Prado, Madri). |