Marido
de mulher feia se assusta até com espirro. Pelo menos é esse um dos princípios
filosóficos mais banais dos bares e biroscas da vila. E Décio sabia dele,
comungava com ele. Por isso fugia de mulher feia como o diabo da cruz. Mas,
como não era lá também essa mimosura de pessoa, não podia estar exigindo além
da conta. Convencido por esse contra-argumento, tomou a firme decisão de
encarar a Carlinda, sobretudo pela sua viuvez espalhada por fazenda de tantos
alqueires, montada em lombo de não sei quantas vacas leiteiras e fundada em
saldo de vários contos de réis, no Banco de Crédito Rural.
A corte, se é que se pode chamar assim
àquela coisa meio desenxabida que ele principiou na festa de Santo Antônio,
despertou a atenção de várias futriqueiras. Conversa vai, conversa vem,
combinaram um encontro mais engatilhado para outra ocasião, fora dos olhos e
dos ouvidos dos curiosos.
E não é que, após as chuvas torrenciais
daquele verão, choveu na hora do Décio? O casamento, bem no mês das noivas,
teve pompa e circunstância, de acordo com a viuvez da fazendeira.
Antes, porém da lua de mel, no meio da
festança, Décio recebe notícia da morte de um irmão, em terras do norte de
Minas, para os lados de Pedra Azul. Lá se foi, deixando a fuzarca dos lençóis
para daí a dias.
Quatro dias levou até voltar para casa.
Melhor, no entanto, não voltasse àquela
hora. Chegando pela madrugadinha, antes da claridade do sol, assustou-se de tal
forma com a figura da mulher espalhada na cama, que sofreu uma brochura
fulminante.
Hoje, passado algum tempo do consórcio
nupcial, está ele em tratamento com doutor de cabeça, para ver se consegue botar
as duas para funcionarem ao mesmo tempo.
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Imagem em mentesdecontacto.blogspot.com. |
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