Silente e crua
A portuguesa língua
De Quintana
De Drummond
De Coralina.
Dela tiro o alimento que me sustenta
A cama de sons em que me deito
E tudo que não quero dizer
Enquanto minto.
Porque dizer somente
O que sinto
Pode parecer imprudente.
E me ponho mudo
No aguardo de que as palavras
Ora adormecidas ora despertas
Verbalizem na precisa hora
O que brota
Do meu ser oculto.