6 de agosto de 2026

LÍNGUA (II)

Queda-se em mim 
Silente e crua 
A portuguesa língua 
De Quintana 
De Drummond 
De Coralina. 
Dela tiro o alimento que me sustenta 
A cama de sons em que me deito 
E tudo que não quero dizer 
Enquanto minto. 
Porque dizer somente 
O que sinto 
Pode parecer imprudente. 
E me ponho mudo 
No aguardo de que as palavras 
Ora adormecidas ora despertas 
Verbalizem na precisa hora 
O que brota 
Do meu ser oculto.


Imagem colhida em ung.br.