Era pai para toda obra, pau puro, dos que não deixam pedra sobre pedra e sempre estão cavando um jeito de ajudar. Aliás, como seu pai também o fora.
Por isso não renegava as origens, afirmando que o cavaco não voa longe do pau.
Assim quebrava o galho de todo mundo, principalmente dos que faziam parte da sua árvore genealógica. Mas tinha, em contrapartida, comportamento reservado, desses de não meter a colher de pau em assunto alheio, a não ser que fosse instado a tanto. No restante, era madeira de dar em doido e não um pau-de-amarrar-égua que servisse de escárnio a toda gente.
Por mais de uma vez, quando necessário, o pau cantou com sua intervenção, como num baile a candeeiro, na casa de pau a pique do Noca Silvestre, em que um cara de pau de nome Zeca Pinheiro se engraçou com a filha mais nova do Antônio Madeira.
A notícia voou longe como cavaco de lenha, e as pessoas contavam que o pau comeu na casa do Noca, com tapas, bofetões e pauladas, com fueiro de carro de boi, no lombo do desaforado, que abriu nos paus, antes que vestisse paletó de madeira. É que juntou gente para meter a lenha nele, sem dó nem piedade.
Esse cara de pau teve até de se mudar da vila, porque todos metiam o pau no seu comportamento. Mas foi bom para que ele aprendesse com quantos paus se faz uma canoa e não se metesse mais em pau com formiga, de que fosse difícil se desembaraçar. E foi até ameaçado pelo subdelegado de que iria para o pau de arara, caso repetisse a afronta. Foi expulso da vila a poder de pau furado do Cabo Zico Figueira, a mando da autoridade superior.e em que tal pai levou pau foi na subida do pau-de-sebo, na festa junina da vila, porque a disputa não foi pau a pau. Paulino Carvalho, dos Carvalhos de Conceição de Mato Dentro, tinha tarimba e era magrelo como um pau-de-virar-tripa. E acabou ganhando o prêmio de cinquenta paus, no envelope na ponta lá no alto.
<E, no restante de sua vida, esse pai foi morar numa casa de troncos de árvores, embaixo de um pé de pau, ao lado do ribeirão Madeira. E, quando espichou as canelas, teve a bandeira a meio pau hasteada no mastro na pracinha da vila, com discurso do filho primogênito que, na homenagem, destacou que ele nunca fora um pau-mandado, um zé ruela, muito menos um pau de cabeleira, um alcoviteiro qualquer. Fora um pai para toda obra!
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