27 de março de 2011

HISTÓRIA DE NOMES


Não falo dos nomes estranhos que, na minha terra, os pais davam para os filhos, porque começaria por mim mesmo. Mas nome é como dentadura nova: acabamos por nos acostumar com ele.
Mas esse é um assunto que sempre pererecou dentro de minha cabeça.
Assim, sem resistir, começo por mim mesmo.
Quando nasci, em 1946 (Lá se vão anos, hem? Ainda bem!), meu pai resolveu chamar-me Saint-Clair, assim com a grafia francesa bem feitinha. Pelo menos, teve o cuidado de saber como se escreve. Na época, fazia sucesso na Rádio Nacional, emissora de radiodifusão que tinha prestígio semelhante ao que hoje tem a Rede Globo de Televisão, um locutor chamado Saint-Clair Lopes. Também havia um redator e ator, cujo nome era Saint-Clair Sena. Meu pai achava o nome sonoro e bonito, por isso resolveu assim me chamar. Tempos depois, já cursando a faculdade de Letras, descobri que na França medieval era comum as famílias adotarem o nome do santo de sua devoção como um dos sobrenomes. Essa atitude tinha a intenção não só de trazer proteção à família, mas também de constituir uma identificação para ela. Se quiserem, é só conferir alguns nomes franceses famosos: Antoine de Saint-Exupéry, autor d’O pequeno príncipe; Auguste de Saint-Hilaire, botânico e naturalista; Camille Saint-Saëns, compositor, pianista e organista.
Em função do nome com essa grafia, fiquei sem almoço por dois dias seguidos, quando tinha lá os meus dezoito anos. Conto-lhes como foi. Fui morar em Bom Jesus com uns tios, para estudar e trabalhar. Arranjei emprego nas oficinas do extinto jornal O Norte Fluminense. O acordo entre meu tio e minha mãe era de que ela mandaria, pelo ônibus que saía às dez horas de Carabuçu, a marmita do almoço, como acontecia com várias outras pessoas. O ônibus, antes de chegar a Bom Jesus, passava pela Usina Santa Isabel, onde desembarcavam passageiros e marmitas. Nos dois primeiros dias do acordo, fiquei sem a marmita e fui-me socorrer com outra tia, a Colola, que me alimentou. Só no terceiro dia é que a marmita chegou sã, salva e fumegante a Bom Jesus, depois que minha esperta mãe resolveu escrever o meu nome à moda da casa: Sancler. Como Saint-Clair, as duas marmitas anteriores tinham ficado na Usina Santa Isabel e só foram recuperadas pelo meu tio Paulo que, lá trabalhando, foi avisado por minha mãe. Ninguém, diabos, sabia de quem era aquela marmita com o nome esquisito.
Meu sogro, do alto dos seus noventa e quatro anos, flamenguista enjoado, tem o nome de Beethoven Neiva (outro dia lhes conto a história de sua família, por causa dos nomes). Mora até hoje em Miracema, onde quase ninguém o identifica se pronunciamos /Betôven/. A maioria das pessoas diz /Betóvi/, alguns /Bertóvi/, outros /Bertold/ e uma em especial o chamava de Betosa Oneida. Quando ele recebe convites de casamento, fica dando risadas de como conseguem lhe escrever o nome de tantos modos diferentes. Coincidentemente com o grande compositor alemão de quem herdou o nome, meu sogro também está bem surdo ou, antes, só ouve o que lhe interessa.
Outro que tinha um nome muito estranho era o seu Dico Hilário, antigo capataz da fazenda do Dr. César Ferolla, no quarto distrito de Bom Jesus do Itabapoana, a vila de Carabuçu, antiga Liberdade. Era ele freguês de caderneta da venda de meu pai, aonde comparecia sempre aos sábados para fazer compras e acertar as contas. Homem corretíssimo nos negócios, cheio de histórias engraçadas para contar, seu Dico Hilário chamava-se, de batismo e certidão, Anaphatalim Hilário da Silva, assim com ph, como se escrevia antigamente, antes da reforma ortográfica de 1943. Depois que saí de lá, nunca mais soube dele. E não me venham dizer que já deve ter morrido, porque meu pai está vivo até hoje, felizmente, com seus noventa e três anos. Gente que morre cedo é que não está muito habituada a viver.
Outro de nome nem tão estranho, no entanto fazia com que ele soasse esquisito. Dirigiu-se à Caixa Econômica para abrir uma conta. O funcionário, Aladir, sentou-se à máquina de escrever (ainda não havia computadores), para preencher a ficha cadastral.
- Sua graça, por favor! – Era assim que, no interior, normalmente se solicitava o nome da pessoa.
- Josafá “pelantiga” Teixeira de Siqueira.
Aladir não entendeu, assim dito com rapidez, solicitou-lhe repetir e o homem disse:
- Josafá “pelantiga” Teixeira de Siqueira.
Mais uma vez, Aladir disse que não havia entendido. O futuro cliente, então, escandiu o nome, acrescentando explicação:
- Josaphat, pela antiga ortografia, com ph e t mudo no fim, Teixeira de Siqueira.
Ah! bom! Assim estava entendido o nome.
Pessoas há, entretanto, que, mesmo parecendo ter um nome mais usual, têm verdadeiro pavor do que carregam como um fardo. Encontrei algumas dessas em meus alunos. Uma era bonita morena ainda adolescente, que não gostava de seu nome Felisbela, e pedia para ser chamada de Bela durante as aulas. O apelido combinava muito bem com sua aparência. Já outra, diferentemente, exigia ser chamada de Linda, ainda que estivesse distante disso, por não gostar de seu nome: Maria Hermelinda. Severino, que depois foi até meu colega na escola onde trabalhava, quando meu aluno pediu a mim e a todos os colegas que lhe chamássemos de Bill. Tive de escrever a lápis, no diário de classe, o apelido, para não me esquecer. Tempos depois, descobri que quase todo nordestino que se chama Severino é conhecido pelo nome americanizado de Bill. Por fim, uma que era ainda mais grave: odiava seu nome, Rosângela. No primeiro dia de aulas na faculdade, disse em alto e bom som para todos:
- Não me chamem por esse nome horroroso. Eu sou a Nina.
E Nina ficou até se formar. Na colação de grau, o mestre de cerimônias, avisado, teve o cuidado de anunciá-la pelo apelido, no momento de receber seu canudo de papel.
Vá lá se entender o bicho gente!

26 de março de 2011

NOITES DE SÁBADO

nas noites de sábado
os bares da cidade ficam repletos de corações vadios
e o ronco dos motores de explosão
são abafados pelos gritos desesperados dos solitários.
os que se fazem acompanhar
apenas iludem a solidão avassaladora
que enche os copos e os corpos.

Toulouse-Lautrec, No Moulin Rouge, 1892,
Instituto de Arte de Chicago.

25 de março de 2011

OS POETAS

Os poetas municipais rimam agora com nunca mais
Rimam meu amor não me arrebente o coração
Com o conteúdo de um pastel de vento
E metrificam versos e sonetos
E produzem espetáculos reluzentes entre quatro paredes

Os poetas estaduais rimam sempre com jamais
Rimam o tempo que flui em minhas veias
Com alguma coisa mais sólida que o ar
E rompem a sintaxe e violentam a lógica
E encenam suntuosas peças de monólogos monótonos

Os poetas federais rimam eternamente com vozes atemporais
Rimam o pesado estar no mundo é minha tragédia
Com a profundidade abissal de um poça d’água no asfalto
E criam neologismos exóticos e produzem sons inesperados
E orquestram concertos de mil vozes harmônicas com gran finale

Imagem em agal-gz.org.
Os poetas universais rimam açúcares com sais
Abacaxi com ananás
Vem cá que eu quero mais
E vão levando a poesia aos píncaros da glória
E faturam polpudos direitos autorais

Esses poetas são do cacete!

24 de março de 2011

VOU SAIR DESSE TROÇO

Tomava o café da tarde numa caneca de ágate aqui e ali descascada, encostado ao caixonete da porta da cozinha, joelho esquerdo ligeiramente projetado à frente, cigarro enrolado na outra mão, quando falou com a mulher, sem rodeios:
- Zefa, vou largar mão desse negócio de fazer mesa e banco, que isso já deu o que tinha de dar.
Havia pensado muito em como abordar assunto tão delicado com a mulher e entrou, assim, de sola, como nos tempos de beque central do Liberdade Esporte Clube. E continuou:
- Agora já vem tudo pronto, muito mais barato do que eu consigo fazer e ainda comprado à prestação. Madeira anda cara e difícil. Tava pensando, aqui com meus botões, que melhor seria a gente caçar rumo pruma cidade grande, que eu não tou vendo mais jeito de sobreviver na vila.
-Que é isso, homem?! Perdeu o juízo? Que é que nós vamos fazer numa cidade grande, com a idade que nós temos? Já passamos dos quarenta! - E pôs certa ênfase na palavra quarenta. E continuou. - Morar aonde? Viver sobressaltado, com medo de tudo? - Espantou-se a mulher, que naquele instante entretia-se em marcar uma toalha de mesa.
- Sou carpinteiro dos bons, mulher! Se esqueceu? Posso muito bem trabalhar em qualquer obra. Cidade grande tá cheia de obra. É um prédio atrás do outro. Lá não falta trabalho pra quem quer. E disposição eu tenho, e você sabe muito bem disso!
- Eu sei, Tonico, mas tenho tanto medo de sair daqui, da nossa vidinha sossegada, tranquila, e ir aventurar em lugar estranho, cheio de gente ruim.
Tonico tinha oficina que trabalhava com madeira: carpinteiro, carapina, marceneiro, não havia função que não exercesse com certa competência. Ultimamente, no entanto, viu o volume de trabalho diminuir drasticamente. A tal da modernidade cobra, por vezes, valor muito alto de certas profissões. Por exemplo, a vila não tinha mais os antigos sapateiros, os tradicionais cocheiros, nem mesmo os necessários barbeiros, com seus salões modestamente montados, o cheiro das loções se espargindo porta fora, a entrar no nariz dos passantes.
Tudo tem seu tempo marcado, e agora chegara sua vez. A vila não mais oferecia meios de sobrevivência para Tonico e Zefa. O carpinteiro de mão cheia, como tinha orgulho de dizer, fora derrotado pelas pinceladas da modernidade que, com seus borrões sedutores, acaba por atingir a mais remota vila perdida no interior do país.
Por essa época, o rádio já despejava sobre aquelas lonjuras os poderosos acordes do roquenrol. E Tonico percebeu que as coisas estavam mudando inexoravelmente. É difícil escapar ileso ao progresso, que facilita a vida de uns e sacrifica a de outros.
Por isso ali estava. Sem perspectivas, ficava matutando possibilidades em terras estranhas, talvez com as mesmas dúvidas da mulher. Apenas não as externava, para não deixá-la ainda mais insegura. No entanto, qual era a saída que se apresentava? O que não podia era ficar esperando as coisas melhorarem. Era como doença ruim: dali, só para pior. E, antes que seus poucos recursos se evaporassem no ar, tinha de procurar novo rumo para suas vidas. Ele era, afinal, o cabeça do casal. Sempre fora e não podia fraquejar exatamente agora.
Já tinha até conversado com o amigo Joanico, durante uma partida de bilhar no bar do Mateus, que ficava pelos lados da Coreia, depois do cemitério, antes um pouquinho de sair da vila, na rua que se bifurcava em demanda ao Jacó e à Vala, direção diametralmente oposta à que tomaria para sair dali. Naquela direção, as coisas só piorariam. O bar do Mateus era o limite máximo que se permitia para o que considerava atraso e retrocesso.
Apesar da opinião contrária de Joanico, que tinha as mesmas ponderações de Zefa, ele já se decidira. Aquilo se havia transformado quase numa obsessão. Conversara com Joanico apenas para trocar ideias, e não ficar dando tacadas, mudo como uma porta. Afinal talvez estivesse jogando com o amigo dileto a última partida de suas vidas. Nunca se sabe. O mundo tem a péssima mania de alterar os itinerários constantemente: atalhos, trilhas e veredas cada vez mais tortuosos e sombrios.  As estradas largas e pavimentadas são para alguns poucos. Para a maioria, restavam os caminhos intransitáveis. Talvez, um dia, até voltasse à vila, mas apenas para visitar parentes e amigos como ele. E ninguém seria capaz de demovê-lo deste propósito.
Joanico ainda tentou uma última cartada, como que a reforçar as ponderações já alinhavadas:
- Pense bem, Tonico! Pense bem, para não fazer besteira!
E foram as frases que ficaram em seu ouvido.
Tonico foi para casa, olhando o desenho impreciso dos paralelepípedos da rua. Falou com a mulher para ajeitar as coisas, dar um jeito na mudança, que o caminhão do Mansur Turco, que era como na vila se chamava o descendente de libanês, não sem protesto veemente dele, já estava contratado para o frete.

Em blogdomenezes.
wordpress.com.
Chorando, Zefa fez o que Tonico pediu. Amarrou a trouxa de roupas, amarrou a cara, fechou as caixas com os teréns, fechou a alma, vestiu-se de roxo semana-santa e ficou aguardando a chegada do caminhão.

Manhãzinha do dia seguinte, tudo em cima do bruto, Mansur no comando da tropa de cavalos aboletada no motor do Ford Gigante, o casal na boleia, o ronco potente a sair pelo escapamento, uma golfada de fumaça escura, e lá vão eles saindo da vila pela estrada que leva ao desconhecido.
Zefa ainda olhou a última casa do seu lado direito, a casa do Dorival, antes de subir o Morro do Marta, enxugou uma lágrima que escorregava dos olhos, quando ouviu a ordem do marido para o motorista:
- Mansur, toca pra não sei onde, que aqui na vila eu não fico mais. Vou morrer à míngua onde ninguém me conheça. Essa vergonha eu não passo na minha terra.
E o motorista, assustado, acelerou ainda mais o Ford Gigante na curva do morro, a exigir do velho motor forças descomunais.
Para trás ficava uma vida sem perspectivas. À frente, apenas uma incógnita, uma vida ao Deus dará.

23 de março de 2011

PROJETOS

sair sozinho e sentar ao vento
ver as gaivotas
e o vazio da tarde

(tudo é tão disperso)

recolher as amostras
dos seres que passam sobre mim
e juntá-las aos meus sonhos
na imprevisível paixão
que me acompanha

Pedro de Payalvo, A hora das gaivotas, em br.olhares.com.

22 de março de 2011

PEQUENAS MISÉRIAS


P. Picasso, La vie, 1903.


A lua à noite deita sua luz de leite sobre o nada.
De minha rede à varanda aconchegado
Conto as estrelas que se salvam no céu.
Da casa mal dormida vem um barulho de criança
E todas as ideologias estão simplesmente soterradas.
Porém na escuridão atônita dos espaços siderais
O homem busca mais sempre mais
Como se não lhe bastassem suas pequenas misérias.



20 de março de 2011

VELÓRIO DE CARNAVAL

Com a sem-cerimônia com que sempre viveu, Quincas foi morrer justo no domingo de carnaval deste ano, atrapalhando a fuzarca que, na vila, já se armava. Porém ele, coitado, não tinha culpa nenhuma em seu desenlace. Foi contemplado por um maldito câncer no pâncreas, que o fulminou em apenas um mês. Deste modo, mal comemorou o réveillon, e já entrou nos preparativos para fazer a passagem.
Quem se constrangeu demais, quando soube da notícia, foi o vizinho, João Bagacinho. Não que morresse de amores por ele. Sabem como é vizinho: a convivência, com porcos, cachorros e galinhas circulando por todos os lados, fica sempre sobre o fio da navalha. Mas também não o odiava. Enfim, suportavam-se mutuamente e fingiam ser bons amigos aos olhos dos demais.
No entanto, a notícia da morte trouxe desconforto. É que João Bagacinho já se preparara para o carnaval dentro dos preceitos tradicionais: carvão, carne, cerveja e o grupo musical Só No Sacolejo, liderado por Dirceuzinho do Cavaco, contratado há mais de mês, a peso de comida e bebida a fartar.
Depois, também, estava esperando a chegada de seu filho, Bagacinho como ele, que iria trazer amigos de Niterói, dentre os quais, Guilherme e Márcia, afilhados de casamento do filho. Todos dispostos a curtir o carnaval na vila.
Por volta do meio-dia do domingo, todos em torno da churrasqueira, que começava a fumegar, tem início o velório do Quincas, na casa ao lado.
Antes, cedo, João dera uma passada para falar com a viúva e os filhos, lamentar muito a perda do amigo prestimoso, vizinho exemplar, essas coisas que se dizem num momento como este. Lamentou muito que o falecimento se desse justamente num momento em que todos estavam felizes e cantando pelas ruas, mas o que se há de fazer, a vida é mesmo assim, como se cansaram de dizer compositores populares de todas as gerações. A música brasileira está aí para não deixar ninguém mentir. A viúva, no que precisasse, podia contar com ele. E pensou lá com seus botões, ao falar assim: que, pelo menos, não seja agora, logo na hora da churrascada.
Quando o afinado e barulhento grupo Só No Sacolejo, capitaneado por Dirceuzinho, adentrou o recinto, já trouxe seu bandleader quase aportando em Marraquexe, em virtude do trajeto etílico que percorrera até chegar à casa de João Bagacinho. Entre bares, tendas e biroscas, o caminho comportava quase meia dúzia. E, em cada um deles, o cantor cavaquinista metia goela adentro talagada da cachaça Matinhos, no sistema caubói, vapt-vupt, não sem antes declamar:
                                   Bem no fundo deste copo
                                   Vejo o vulto da minha amada
                                   Vou tomar tudo de uma vez
                                   Antes que ela morra afogada.

Guilherme, testemunha ocular da história, para resumir, disse que foi problema quase insanável controlar os arroubos do grupo musical, que, contrariamente à orientação de João Bagacinho, cantava em altos brados marchinhas, sambas, maxixes, frevos, maracatus e axés, numa mistura de norte a sul de tudo o que a cultura carnavalesca tinha produzido, para o bem e para o mal.

Roda de samba, em
secultjaraguao.blogspot.com.
E era um tal de “se eu morrer amanhã, seu doutor, estou pertinho do céu”, “até amanhã, se Deus quiser; se não chover, eu volto pra te ver, oh, mulher!”, “você pensa que cachaça é água?”, “este ano não vai ser igual àquele que passou”, “não se perca de mim, não desapareça”. Dirceuzinho parecia possuído. E, a toda hora, João Bagacinho a pedir moderação no tom da música:
- Baixe a voz, Dirceuzinho, diminua o som, que a viúva acaba invadindo nossa festa!
Assim durou a função. Na casa ao lado, separada apenas por uma aleia de cerca-pinto, aqui e ali arrombada, os enlutados entoavam hinos, recitavam preces, encomendando a alma também cheia de buracos de Quincas, com contas seriíssimas a acertar lá em cima. Na casa de João, o pau quebrava rente à raiz, voava música para todos os lados, o cheiro de churrasco enchendo o ar.
Morrer no carnaval é um problema: não só atrapalha a festa alheia, bem como põe à prova a boa vontade de São Pedro, que, a todo minuto, tem de interromper seus embalos celestes, para atender aos mal-vindos de sempre.