8 de março de 2011

L U A

Se for a lua apenas esse disco tolo
(Imagem em thehelplessdancer.wordpress.com.)
A iluminar as noites dos poetas
E dos boêmios
Ou mesmo o opaco corpo celeste
De interesse limitado para astrônomos
E lunáticos
Esta lua refletida na flor d’água
Do rio largo que lava a charqueada
Não existe
É apenas uma ilusão de ótica
Sobretudo se observada
Por detrás do corpo solar onde me escondo


7 de março de 2011

DEITEI OS MEUS AMORES EM BANHO-MARIA

deitei os meus amores em banho-maria
em fogo brando
sem sal e sem gordura
isentos de açúcar
(insossos e inodoros)
de paladar macio
que é para o meu coração
 – esta coisa belicosa que me pinica o peito –
não sofrer hipertensão
no sangue que bombeia
Rembrandt, A lição de anatomia do Dr. Tulp, 1632,
Mauritshuis, Haia.
nem esclerosar os vasos
por onde a dor escorre



M

5 de março de 2011

SE NÃO REGISTRAR, DESAPARECE! (II)


Em blogdofernandoteixeira.
blogspot.com.
 I. “COMER EU, VOCÊ NÃO COME!”

Contam os antigos que, pouco depois dos tempos em que se amarrava cachorro com linguiça, Carabuçu tinha como prócer político um homem de família vasta e importante, Dudu Mestre, pai de meus amigos de infância Suely e Teodorico, colegas de escola primária. Tal função ele não mais exercia quando frequentávamos os bancos do Grupo Escolar Marcílio Dias.
Era no tempo do Dr. Getúlio, como habitualmente se dizia, e seu Dudu, já nessa altura, falava de um jeito especial, como se estivesse com uma pastilha de Sonrisal na boca. Alguns fonemas, por esse motivo, ferviam ao ser enunciados.
Assim, um dia, seu Dudu, autoridade distrital, subiu a um palanque para fazer comunicação de medidas que a municipalidade reservara para a vila. Dentre os presentes, que se juntaram tão logo souberam que haveria novidades, estavam meu avô paterno Chico Albino, à época comerciante estabelecido com casa de secos e molhados, e Nico Dutra, proprietário rural com terras localizadas um pouco antes de se chegar à vila para quem vem de Bom Jesus do Itabapoana. Ambos eram adversários políticos de seu Dudu. Portanto ali estavam já com certa má vontade.
Perdoem-me os descendentes desses dois homens de bem, cidadãos considerados à época, que conheci e respeitava, mas devo dizer que cultura e lhaneza no trato não estavam entre as virtudes de suas pessoas. Pelo lado do meu avô, já me desculpei a mim mesmo e, assim, toco a história à frente.
Assim, com aquela dificuldade de pronunciar certos fonemas, seu Dudu inicia sua fala, da forma tradicional, mas com vigor:
- Partichico e comunico...
Neste exato instante, foi interrompido pelo bravo Nico Dutra, que contrapôs aos berros:
- Dudu, você pode até partir o Chico, mas comer eu você não come, não!
E foi uma risadaria geral, de desestabilizar o Estado Novo.

Em gpdesenhos.com.br.
II. NEM SÓ DE F-D-P SE FAZ O MUNDO
Conheci Molambinho em seu restaurante em Miracema, há alguns anos atrás. É o restaurante Molambo’s, nome em homenagem a seu pai, falecido há pouco, que tinha esse apelido. Molambinho herdou a mesma alcunha, como é comum: pai, Molambo; filho, Molambinho.
Ao iniciar suas atividades, chamou atenção com os pratos saborosos que fazia, num ambiente rústico, em que o atendimento se rivalizava com o paladar da comida. Não demorou muito para ampliar o espaço, mantendo a mesma característica.
Muito comunicativo, simpatia a toda prova, mesmo conhecendo-o naquele dia, quis saber como ele havia aprendido a cozinhar. Penso que cada um de nós nasce com determinadas aptidões. Se pudermos desenvolvê-las, certamente nos daremos bem nas atividades e as faremos com prazer. Pois foi o que me pareceu ter acontecido com ele.
No entanto Molambinho contou-nos a seguinte história, que registro aqui também para que não se perca.
Há alguns anos, ele arrumou as malas e foi-se aventurar em terras do Tio Sam. Depois de algum tempo, já com trabalho fixo e na condição green card, ao ir para o trabalho, encontra na rua próxima ao condomínio onde morava um brasileiro desarvorado, recém-chegado, clandestino, em busca do chamado sonho americano. Esse patrício contou-lhe, então, que há alguns dias estava andando pelas ruas, sem pouso, sem trabalho, com o dinheiro já no fim. Ele, condoído com a situação, deu-lhe a chave do apartamento e disse-lhe que ficasse lá, até sua volta, ao fim do dia. E apontou o bloco em que se localizava o apartamento. Recomendou que tomasse banho e franqueou-lhe a geladeira:
- Há comida lá. Fique à vontade, até que eu chegue. Depois vamos ver em que posso ajudar.
Ao chegar a casa, já noite, encontrou a mesa posta com pratos de certo requinte, que o brasileiro desarvorado preparou com o que encontrou na despensa. Molambinho disse que se impressionou com a qualidade e a aparência da comida. E perguntou para o recém-conhecido qual era sua profissão, ao que ele respondeu:
- Sou chefe de cozinha e vim para cá tentar a sorte.
Nos dias seguintes, o novo amigo passou a ensinar a Molambinho as técnicas que tinha aprendido na arte da gastronomia. E foi com essa técnica que, ao voltar para o Brasil e para a sua Miracema natal, resolveu montar o restaurante.
Mas uma fala ficou marcada, na história que ele contou. Assim que o amigo conseguiu emprego e foi-se mudar, disse para ele:
- Me admirei muito da coragem que você teve em me dar a chave do apartamento, para que eu entrasse. E se eu te sacaneasse?
Com a sinceridade que tem, Molambinho respondeu:
- Você haveria de ser muito filho da puta, se, depois desse voto de confiança, ainda me sacaneasse!

4 de março de 2011

A ALEGRIA

Um dia
No parque
A alegria
Passou por mim
De um jeito assim
Sem graça
Então pedi-lhe
Que ficasse
Que não fosse embora
Se demorasse um pouco mais
Não fosse exígua
Como tem sido.
E a alegria
Lago Negro, Gramado/RS, nov/09.
De coisa comigo
Amiga enfim
Das horas imprecisas
Ficou de ver
De pensar
Talvez ficasse
Um pouco mais
Quiçá
Acaso talvez quem sabe
Se me julgasse
Capaz de entender
Que ela está em toda parte
Mas que é preciso
Um pouco mais de arte
Para perceber.
Não me restou assim alternativa
Que procurá-la em todos os lugares.
E a alegria então
Manifestou-se
Como se fosse o sol que esbraseia
E agora ocupa
Todo o espaço que me cabe
E se revela nos mínimos detalhes.

3 de março de 2011

PENSAMENTOS BEM PENSADOS


Em 22/1/2011, postei o texto “Bobagens impublicáveis”. Como não houve nenhuma impugnação à sua publicação, mesmo sendo impublicável, quero crer que ele não tenha causado tantos malefícios aos meus pacientes e amigos leitores. Em virtude deste vício, ou em vício desta virtude – nunca sei ao certo –, minha condição de aposentado continua a proporcionar momentos de ócio em que não produzo nada que possa mudar o curso da história, ou mesmo auxiliar a qualquer de vocês a levar a cabo um dia estafante de trabalho. Mas, enfim, cada um na sua: não sou Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, mas, felizmente também, não sou Paulo Coelho, nem nenhum desses bispos que operam milagres a cada minuto nos canais de televisão. Infelizmente, também, não ganho a grana que eles ganham dizendo as bobagens que dizem.
Pelo menos, aqui, ninguém precisa pagar dízimo, nem será condenado por isso.
Vejam, então, aí abaixo, as pérolas daquilo a que Millôr Fernandes chama “livre pensar é só pensar”, ou coisa que o valha. Que Aristóteles, Santo Agostinho, Marquês de Maricá e Barão de Itararé tenham um pouco de condescendência e não me condenem! Também tenho cá os meus direitos.
Zatonio Lahud, em seu blog Interrogações, tem repetido que não somos racionais. Acho que com esses pensamentos ele, fatalmente, mudará de ideia a respeito da raça humana, a única raça ruim que não presta e só piora a cada dia.
Em forums.newsinside.org.
1.      Nunca ponha letreiro na testa. A prefeitura pode querer enquadrá-lo(a) no código de posturas municipais.
2.      A vaca perdeu as estribeiras depois de avacalharem com a sua vida.
3.      Não se come queijo prato com as mãos. Evidentemente que é com a boca.
4.      Em Brasília, o forno da pizzaria jamais fica sem lenha queimando. Na calada da noite, podem sair pizzas fresquinhas.
5.      Jogador que não sabe bater pênalti em decisão de campeonato deveria ser emasculado e, depois, treinar cobranças com seus próprios testículos.
6.      Por que tenho de embarcar em trem, ônibus, avião, bonde e automóvel se nenhum deles é barca?
7.      A pior forma de humilhação é quando o milho fica chocho?
8.      Como já diziam os antigos, tudo que parece novo vai envelhecer também. É só esperar um pouco. Vejam só o caso do Cinema Novo: não há nada mais velho.
9.  Uma boa reforma agrária também poderia prever a distribuição de mulheres frutas, como a Mulher Melancia e a Mulher Moranguinho. Neste caso, guardem um minifúndio para mim.
10.  O trem mais feio que tem é quando um trem bate de frente com outro trem, numa ferrovia mineira. Eh, trem feio, sô!
11.  É comum solidariedade entre duas mulheres, no velório de uma delas.
12.  Time mal escalado é pior que calo encravado, bolo solado e promessa de deputado.
13.  "Em Brasília, dezenove horas": vamos ouvir a voz dos donos.
14.  Millôr disse que livro não enguiça. Às vezes, porém, alguns dão uma preguiiiiça...
15.  Se algo dá pano para as mangas, devia dar também para a camisa inteira, bem como o feitio e os aviamentos.
16.  Marcha nupcial é marcha fúnebre com início feliz.
17.  Samba sincopado é o que o sambista faz, ao lado da cozinha, com autorização da patroa, enquanto espera a gororoba ficar pronta.
18.  Matusalém só viveu tanto tempo, porque ficou esperando pela troca de seu esquisito nome num cartório da Caldeia, o que nunca ocorreu. Lá como aqui!
19.  Quando um não quer, o outro tem de brigar consigo mesmo, isto é, tem de tornar-se um self fighter man.
20.  Em casa de pé de cana, cachaça é tira-gosto de linguiça.
21.  No Brasil, professor professa uma crença sem paraíso: a educação pública.
22.  A pior defesa que existe é o contra-ataque inoperante.
23.  A alegria do palhaço é a desgraça do dono do circo.
24.  Quando, no Brasil, polícia prende polícia, periga serem as duas suspeitas.
25.  Se as praias, as mulheres, as garrafas e até as estradas têm curvas, fica muito difícil ter retidão de caráter.
26.  Tudo é relativo, até o ativo e o passivo.
27.  As Escolas de Samba do Rio de Janeiro esquentam tanto o Carnaval, que acabam pegando fogo, literalmente.
28.  Na vida real, a ficção parece coisa de cinema; enquanto, na ficção, a vida real é, realmente, coisa de cinema.
29.  Um dia é da caça, o outro é dos fiscais do IBAMA.
30.  Homem mariquinha não pode chamar-se Ricardão.
31.  Louva-a-deus não tem religião, vaga-lume não paga conta de luz, fogo-apagou não trabalha no Corpo de Bombeiros. E eu que sempre tive a maior fé na natureza!
32.  Quem sai aos seus, às vezes, degenera. E como! É só ver certas famílias de políticos brasileiros.
33.  Assim na vida como na arte, ou vice-versa. Só que quem leva a maior parte é sempre o empresário.
34.  A primeira missa no Brasil não teve nada de santa: havia mais índio pelado que português trajado. Pelo menos, na pintura famosa.

2 de março de 2011

POEMA ESQUISITO

À beira do rio
Com fome e com frio
O pescador aflito
Lança sua rede.
Uma caldeirada é o que pretende
Mas só pega peixe frito.

E o cardume de lambari
Não está nem aí!
O caximbau cascudo
Some no oco do mundo
Enquanto o piau suspeito
Diz para o pescador:
- Bem feito!

E o bacurau, só agito,
Repete o grito:
- Bem feito!
Quem mandou pescar em rio esquisito!

Da margem oposta
Vem uma capivara louca
Querendo dar-lhe um beijo na boca.

Colhida em toniaires.blog.uol.com.br
E ele fica de rede na mão
Sem entender sua situação!

Mas isso tudo se explica
Com certa dose de graça
Pelo efeito da cachaça
Que ele tomava à socapa!

Cachaça boa não pega,
Mas essa pinga da braba
Acaba lhe dando bode.

1 de março de 2011

SE NÃO REGISTRAR, DESAPARECE! (I)

I. A FALTA QUE UMA LETRINHA FAZ

Em culturamix.com.
Eu tinha há pouco tomado posse de minha função pública no Tribunal de Justiça do antigo Estado do Rio de Janeiro (antes da fusão com o Estado da Guanabara) e estava lotado na Secretaria da Segunda Câmara Cível.

Era o princípio da década de 70, e, como escriturário-datilógrafo, cargo inicial da carreira, estava incumbindo pelo secretário, Dr. Luzitano Carneiro, de datilografar as publicações daquela Câmara. Na época, isso era feito em máquinas datilográficas, em duas vias – uma original, outra a carbono: uma ia para a Imprensa Oficial e a outra ficava na Secretaria.
Na Imprensa Oficial, novamente, todo o texto era composto em máquinas de linotipo, técnica que já está morta e enterrada, pelo menos é o que me parece. Isto significava dizer que, nem sempre, o que era enviado saía na publicação do Diário Oficial tal qual a cópia que para lá remetíamos, a qual era submetida a conferência prévia, feita com ajuda de um colega de trabalho, a fim de evitar possíveis erros.
Assim que o Diário Oficial entrava em circulação, e de posse do exemplar, fazíamos nova conferência entre o texto encaminhado e o efetivamente publicado. Qualquer erro, por mínimo que fosse, poderia pôr a perder o trabalho. Embora não seja advogado, mas pela prática acumulada durante esse tempo, aprendi uma coisa chamada formalidade, pedra de toque de toda vida judiciária. Faltasse uma vírgula, sobrasse uma letra, qualquer coisa publicada poderia sofrer reparo de um dos advogados representantes das partes.
Assim, um dia, ao conferir a publicação da pauta de julgamento de processos a ocorrer naquela semana – e o Diário Oficial, normalmente, circulava com atraso –, foi constatado erro no nome do desembargador relator, aquele magistrado designado para apresentar o processo durante a sessão de julgamento, fazer o relatório e dar seu voto, a ser submetido à turma, aos seus pares.
Obviamente não vou aqui dar o nome todo do desembargador, já falecido, por respeito à sua memória, embora tenha sido homem muito bem humorado e, quero crer, deve ter contado tal história muitas vezes. Não posso, no entanto, deixar de nomeá-lo pelo sobrenome, onde justamente ocorreu o problema: Carvalho.
Deste modo, quando conferimos a publicação da pauta no Diário Oficial, verificamos que faltou a letra –v– de seu sobrenome. Houve um misto de pânico e risadaria entre os funcionários ali lotados. Um até presumiu ser picardia da turma de gráficos da Imprensa, algumas vezes a aprontar das suas.
Nem todos devem saber, mas qualquer erro de publicação gera uma errata, a ser publicada na próxima edição do Diário. A errata tem uma forma fixa, para que produza valor legal: “onde se lê x (forma errada), leia-se y (forma correta)”.
Dr. Luzitano, quando soube do erro, tão logo chegou à Secretaria, entrou em pânico e, mais que depressa, ligou para a residência do desembargador, para informá-lo do ocorrido. A saia justa, evidentemente, estava posta. E o desembargador determinou que não se fizesse a correção, alegando que a emenda ficaria bem pior. Entendia que, com ela, o erro ficaria mais evidente. Jogava, então, com a sorte de que poucos o tivessem percebido e aqueles que o perceberam fossem discretos o bastante, para não arguir qualquer tipo de erro material na publicação.
Ou o Diário Oficial teria de estampar, em sua próxima edição, na coluna de erratas da Secretaria da Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do saudoso Estado do Rio de Janeiro, a Velha Província, durante os famosos Anos de Chumbo, com o destaque merecido, mais ou menos isso: “Proc. nº N: onde se lê Caralho, leia-se Carvalho”.


II. A NOTA PROMISSÓRIA QUE QUASE FOI COMIDA

Em protesto.com.br
Por essa mesma época do fato acima narrado, militava nos corredores do mesmo Tribunal de Justiça advogado de nacionalidade tcheca, cujo nome omito (dou apenas as iniciais: AA), que para cá veio fugido do regime comunista que se instalou na antiga Tchecoslováquia.

Lá ele era juiz de direito. Aqui chegado, validou seu diploma de bacharel em Direito, tirou carteira da OAB e começou a trabalhar. Trabalhava muito em causa própria, pois era proprietário de alguns imóveis e estava sempre com pendengas com seus inquilinos. Mas, vez e outra, aparecia como réu e como procurador de clientes.
Um desses processos tratava da cobrança de nota promissória. AA era o advogado do réu, que não pagara a dívida representada pela nota promissória. A causa era perdida, pelo menos para seu cliente (para o advogado, não; sabemos que o advogado sempre ganha de uma das partes).
Tão logo se iniciou o expediente naquele dia, AA solicita ao funcionário o processo, já com pauta de julgamento marcada, a fim de passar uma vista d’olhos, como se dizia comumente, antes da sessão.
No corredor estreito, entre a porta da Secretaria e a janela que dava para o pátio interno do prédio, AA se recostou ao parapeito, como que a captar mais a luz do dia, a fim de facilitar a vista d’olhos do processo.
Num átimo, o então secretário, Dr. Edilton Couto, meu saudoso amigo e padrinho de casamento, que já conhecia muito bem as artimanhas do causídico, como que voou por cima do balcão da sala e se atirou sobre o advogado, em cuja boca enfiou os dedos, segurando-o pelo queixo, para salvar a nota promissória já em processo de mastigação, para, em seguida, ser engolida e deixar de existir como prova material da dívida do réu.
Extraiu a prova da dívida, como que a fórceps, babada, amarrotada, mas salva em sua integridade. E, a partir daquela data, AA só poderia manusear processos dentro da sala da Secretaria, sentadinho a uma mesa, sob os olhos vigilantes de funcionário para isso designado.