25 de fevereiro de 2011

SONETO ININTERRUPTO (Ó, LIBERDADE!)


(Dedicado a todos os que vivem sob qualquer tipo de opressão.)


C. Portinari, Dom Quixote, 1956,
Museu Castro Maya, RJ.

o tempo todo estou no teu encalço
não meço esforço se é para alcançar-te
desfaço em arte o que vier de sorte
como se fosse tão somente esporte
se o dia passa num segundo um corte
uma visão um vulto a inebriar-me
possa que seja o sol que me conforta
ou qualquer coisa que me indica o norte
mas seja então esta incessante lida
com a paixão que me amarra forte
aos teus impulsos a teu contraforte
desejo insano e porte inaudito
ó liberdade deusa dos aflitos
que suga o sangue o sonho a seiva a vida




24 de fevereiro de 2011

PEQUENOS ANÚNCIOS

Este blog tem recebido inúmeras solicitações para veicular propaganda paga. Seu proprietário, com olho grande no que possa faturar, resolveu abrir espaço e publica aqui os primeiros pequenos anúncios. Espera-se que haja alguém interessado a responder. Cartas para a redação, pois os anunciantes pediram sigilo absoluto, com medo do imposto de renda.
 

DENTISTA PRÁTICO: Alferes da Cavalaria, tropeiro, minerador e dentista prático, especialista em bocas malditas, presentemente desempregado, tira dentes com anestesia local, ou melhor, em local incerto e não sabido. Discreto e parceiro. Roga-se não denunciá-lo ao Conselho Regional das Minas Gerais. Dá como referência o Sr. Joaquim Silvério. / Joaquim José Xavier

ESPIÃO PARTICULAR: Serviço garantido. Especialista em revolucionários e subversivos de todo tipo. Mestre em disfarces e infiltrações. Superdiscreto, não levanta suspeita, passando-se facilmente por um dos investigados. Em pouco tempo, entrega às autoridades qualquer tipo que esteja perturbando a ordem, com gesto suave. Pagamento adiantado: 30 dinheiros. Não aceita pagamento em qualquer tipo de corda. / Judas Iscariotes
PROCURAM-SE CARGOS PÚBLICOS: Partido político, sem ideologia definida, procura partido político com que possa estabelecer relações de poder estáveis, porém com alguma turbulência, como um casamento é. Não discrimina credo político – aceita-se qualquer um –, desde que esteja no governo. Todos os seus filiados estão autorizados a negociar cargos e alianças, nos âmbitos municipal, estadual e federal. Experiência atestada desde sua fundação em 1980. / PMDB, Brasília-DF.
TORNEIRO MECÂNICO RECÉM-APOSENTADO: Aposentado recentemente, com larga experiência em máquinas públicas. Aceita função nova que não exija sujar as mãos, como dar palestras, viajar por aí, exibir-se em shows e eventos. Pequeno defeito na mão não atrapalha em nada. A língua presa pode até facilitar as coisas. Cachê a combinar (não se esquecer de incluir a patroa, que o acompanha a todos os lugares). / Luís Silva
VENDO FÍGADO: Vende-se fígado, já testado e aprovado por anos de libações homéricas nos mais diversos botecos e por comida baiana temperada no azeite de dendê e reforçada na pimenta malagueta. Atualmente no estaleiro, só alambicando água, leite, chá preto e aguinha de coco. Ainda pode servir a todo o povo brasileiro que tenha o sorriso do lagarto. / João Ribeiro de Itaparica
MAUSOLÉU: Vendo mausoléu sem uso, bem montado, com estátua de bronze ao lado e alguns parentes agarrados a cargo de confiança, em local de grande valor histórico, em terras devolutas da União de estado do Nordeste, pois não pretendo morrer nunca e largar a carne-seca. A Pátria sempre há de precisar de mim! Preciso do dinheiro para compra da tinta para pintar bigode e cabelo – o preço subiu muito. Só aceito pagamento através de depósito em paraíso fiscal. Tratar com meus filhos, que a comissão fica em casa. / José Ribamar, São Luís/MA.
PIROTÉCNICO: Pirotécnico com vasta experiência em incêndios, músico e poeta incompreendido e ainda não descoberto pela mídia, aceita qualquer tipo de função em que não tenha de levar sua mãe, pois já não aguenta a pressão, ou acabará botando fogo na cidade. Muito hábil para engolidor de fogo de circo cavalinhos. Fala latim com fluência, mesmo que isso para nada mais sirva atualmente. Referências com Peppino di Capri, Nicola di Bari e Bento di Zesseis./ Nero di Roma
Em mondoitaliamagazine.
blogspot.com

PRÍAPO: Homem maduro, rico e poderoso, do ramo de comunicações, com os cabelos sempre penteados, atualmente em cargo político de destaque, que sofre de priapismo incontrolável, necessita de moças jovens e bonitas, descompromissadas, discretas e que não saiam dando com a língua nos dentes, para bunga-bungas e altre cose di piu. Posso, depois, interceder por cada uma, nas mais diversas esferas, quando fizer merda. Ligações para o Palazzo Chigi, pelo telefone privativo. / Silvio B., Primo do Ministro

Imagem best-cine.com.
CRUZEIRO MARÍTIMO: Venha fazer a travessia do Atlântico, no maior e mais moderno navio de cruzeiro do mundo, praticamente insubmergível. Guiado pela nova tecnologia de GPS, adquirida na feira de Acari (Rio de Janeiro/BR). Saída de Southampton. Viajem inaugural, segura e garantida até Nova Iorque. Afogue suas mágoas a bordo com as melhores bebidas: vinhos finos, champanhes, uísques com gelo à vontade e a famosa cachaça brasileira na Água. Darei minha vida para satisfazer a sua: palavra de comandante. / Comandante Smith, RMS Titanic


Em vitrine.blog.br
PÊNALTIS E CHUTES A GOL: Entes do folclore brasileiro e personagens da literatura universal, um tanto ou quanto folgados no momento, em virtude dos brinquedos tecnológicos, vêm oferecer seus serviços para clubes de futebol carioca bicolores ou tricolores, que cheguem à final de torneios e necessitem cobrar tiros livres diretos da marca da cal. Temos pernas firmes, pés retos e confiáveis e não costumamos falhar na hora exata. / Saci Pererê, Curupira, Pinóquio e Pirata da Perna-de-Pau

23 de fevereiro de 2011

UM DIA DE CACHORRO DOIDO!

uma grande e intransponível diferença entre a pequena vila de Carabuçu e Hollywood, mas ali também tivemos um dia de cão, ou melhor, de cachorro doido.

É bem verdade que sem o roteiro de um filme de grande orçamento, sem mocinhos e bandidos, e com cachorro de verdade.

Era uma noite animada de verão, nos idos de sessenta. A "rua" - como chamávamos a vila - estava cheia, com as pessoas a passear pela praça e pela rua principal, quando surgiu a notícia de que um cachorro doido tinha chegado do lado da estrada que vem de Bom Jesus. Para os que não sabem, cachorro doido, para nós, é o cão acometido por raiva (hidrofobia), doença provocada por vírus.

Foi um Deus nos acuda!

Tenho para mim que o maior medo da população do interior não era propriamente de saci-pererê ou mula-sem-cabeça, entes que, vez e outra, andavam assombrando as gentes. O maior medo era de boi bravo, cobra venenosa, fiscal do governo e cachorro doido. Mais ou menos assim, do menos perigoso, para o mais peçonhento.

Algumas vezes, as ruas da vila ficavam à mercê de bois bravíssimos, que vinham tocados por boiadeiros valentes, em seus cavalos ariscos, as ruas vazias, as casas fechadas: todos com medo. Era com pavor que eu me aventurava numa janelinha colocada bem no alto da parede da venda de meu pai, para ver a passagem do boi.

As cobras, por sua vez, só eram encontradas nos matos nos arredores da vila, nas touceiras de bambu ou nas moitas de capim. Mas, enfim, estavam elas no seu habitat. E só atacavam, quando incomodadas. O mais que sabia era pelas narrativas dos homens que frequentavam nossa venda, para as compras da semana, para comerem o pé de moleque afamado que minha mãe fazia e para jogarem conversa fora. Uma conversa que enchia os meus ouvidos infantis de magia e medo: casos de jararaca, de surucucu, de surucucu corredor, de cobra-coral, de jararacuçu e até de caninana.

os fiscais do governo, quando lá iam - e não era com muita frequência - também causavam desconforto, que eu observava pelo fechamento quase completo do comércio local. De repente, parecia feriado na vila. Descobri, muito tempo depois, que um funcionário da coletoria de Bom Jesus mandava avisar a seus amigos da vila de que para lá estava indo a fiscalização. E era um valha-me, Deus!

No entanto, como aquela noite de domingo alvissareira, que terminou mais cedo pelo pânico no povo, nunca mais houve!

Quando se ouviu o grito de "Cachorro doido!", estabeleceu-se um corre-corre nas gentes para dentro das casas próximas. Lembro-me de meninas que eu já olhava com certo interesse correrem com seus vestidos rodados de faixa na cintura. Eu me socorri da casa de meu avô, que ficava bem diante da pracinha.

Imagem em lilicarabinabr.
blogspot.com
 Os homens da vila que moravam próximo ao local do evento correram às suas casas, a fim de se armarem com garruchas, espingardas, paus, facões e o mais que fosse para enfrentar o bicho.

O povo da cidade grande não sabe avaliar o que seja um cachorro doido solto numa vila. É como se fosse um enviado do Belzebu a prenunciar desgraceira. Quem fosse mordido de cachorro doido podia contar que estaria condenado a uma morte pavorosa, como as narrativas tradicionais davam conta: ter de ser amarrado a um tronco de árvore, onde se estrebuchava até morrer, urrando e babando como o próprio cão. Era uma imagem tenebrosa!

Ao recobrar um pouco da calma e da coragem, após a iniciativa de vários homens dispostos a sacrificar o bicho, corri para casa, a fim de avisar a meu pai, porque soube que o cachorro havia entrado no quintal da casa do tio Nalim, que fazia divisa com o nosso. Como eram separados apenas por uma cerca de fios de arame, facilmente o animal passaria de um para o outro.

Meu pai, de imediato, tirou do guarda-roupa sua garrucha quarenta-e-quatro, cano duplo, pintado de branco para evitar ferrugem, e abriu a janela de seu quarto. Foi no exato momento em que o cachorro estava no limite entre os dois quintais.

O tiro que a garrucha disparou no meio daquela noite de domingo ribombou como uma carga de canhão das guerras dos antigamentes. O bicho emitiu um ganido lancinante, anunciando que o tiro pegara nele, e saiu por onde entrara.

Meu pai disse que acertara o "vazio" do cachorro, parte de sua anatomia desprovida de osso, abaixo da costela e um pouco à frente das patas traseiras. E me recomendou que não dissesse a ninguém que fora ele o autor do tiro, o que fiz até o presente momento.

Na vila, então, todos queriam saber quem atirara no cão. Indagavam-se os que tinham armas, uns aos outros, e não fora nenhum deles. Quem foi? Quem não foi? E a dúvida permaneceu.

O bicho ferido se retirou para os pastos do lado do Zé Doença e foi encontrado morto no dia seguinte.

O autor do disparo nunca foi identificado. E nunca mais houve um dia de cachorro doido como aquele em Carabuçu, sem roteiro de Hollywood, sem mocinhos e sem bandidos. Mas com um herói, para mim: meu pai!

22 de fevereiro de 2011

SE FOSSE O AMOR ASSIM TÃO GRANDE

Se fosse o amor assim tão grande quanto se diz
De tal forma desmesurada, exorbitante,
Não caberia no coração humano, distraído,
Que por uma seta fatal do deus Cupido
Fosse alvejado enquanto, num instante,
Se desprecavesse de cuidados e, infeliz,
Sofresse as agruras que o deixam tonto.

Imagem em bridashim.blogspot.com.
O amor, porém, cabe, sem que exorbite
Um tantinho sequer em seus limites,
Do mais jovem ao mais velho dos mortais,
No coração que bombeia, incessante,
Pelas veias e artérias de calibres desiguais,
Todo o sangue que carrega, em seu trajeto,
Alegrias, frustrações, dores e festas.

E, assim tanto cresça em seus aspectos,
Seus contornos, sutilezas ou razias,
Figurando desmedida incalculável,
O amor, por mais que seja improvável,
Caberá de um todo e num só plano
No mais tímido, no mais incerto, no mais banal,
No mais inseguro dos corações humanos.

21 de fevereiro de 2011

O CASAMENTO DEGENEROU EM CONFLITO

Em Miracema, às vezes ocorrem umas coisas esquisitas.
Teteca fora convidado para padrinho do casamento de Valdir e Bernardinho. Foi o próprio Bernardinho, com sua voz extremamente fina, que o convidou, num dos momentos em que Teteca tomava umas e outras num pé-sujo do antigo mercado municipal. Aceitou de pronto, não se sabe se porque já estava para lá de Bagdá, ou porque era muito moderno e não dava bola para o que dele pudessem falar as línguas ferinas da cidade.
As bodas foram marcadas para um dos cômodos da parte superior do mercado onde Bernardinho morava. Sábado, à noite, com juiz de paz de mentirinha e tudo o mais.
Imagem em redeparede.com.br.
Bernardinho se vestiu no quarto de uma colega da noite, acima do seu. Chegou toda maquiada, num vestido branco, véu e grinalda, flores brancas na mão. O noivo botou bermuda nova e camisa polo também branca. Havia vários convidados do grupo GLS, que hoje está muito mais ampliado por outras letras. Periga, daqui mais uns anos, faltarem letras no alfabeto, tal a força encantatória do movimento.
A cerimônia ocorreu sem tropeços, sem complicações. Ambos deram o sim, com convicção. E a festa se iniciou. Salgadinhos e bebidas começaram a ser servidos aos convivas. O clima estava animado e descontraído. Teteca, como sempre, tomava sua cachacinha e observava tudo atentamente. Era a primeira vez que ia a um casamento gay.
pela metade da festa, ou daquilo que poderia ter sido a metade da festa, a noiva resolve subir para tirar o vestido e colocar uma roupa mais leve. O que ela viu no topo da escada apertada provocou-lhe uma reação de tsunami. O noivo estava aos beijos e abraços com uma boneca convidada. Os dois sem-vergonha desceram as escadas a poder de bofetadas de Bernardinho.
Dali em diante o que era festa se transformou numa batalha campal, com tapas, pescoções, puxões de cabelo, unhadas e gritinhos. Teteca que, naquela hora, mal se sustentava em pé devido ao efeito de não sei quantas doses, levou um pescoção tão bem aplicado, que perdeu o rumo da vida. Quando conseguiu – os ânimos já serenados – recuperar um pouco do juízo que ainda tinha, indagava para um e outro :
- O que foi que eu fiz, meu Deus, pra levar porrada? Eu acaso me engracei com quem não devia? Nem gay eu sou! Só aceitei o convite para ser padrinho.
No dia seguinte, curada a manguaça, com um olho ainda meio avariado, contava a história às gargalhadas. Mas prometeu: padrinho de casamento gay em Miracema só com segurança policial fardada. Que não estava aí para apanhar desarrazoadamente!

20 de fevereiro de 2011

ZÉ INCORPORADO


resolveu entrar para a macumba, a fim de dar sossego a sua alma irrequieta e ao seu procedimento um tanto espaventoso. Ele mesmo não se entendia muito bem e precisava de explicações mais consistentes para o que sentia. Nunca dera muita importância às coisas espirituais, mas andou assuntando pessoas e se encaminhou para a convivência com caboclos e orixás, com despachos e incorporações.
Estava no começo da idade adulta e, assim que fez a iniciação, sob a orientação firme do pai de santo, passou a receber o caboclo Zé Pelintra das Ruas, tido e havido como um malandro de marca maior, capaz das piores armações. Porém não se sentiu confortável.
Tal espírito não se encaixava com o seu. Não havia química, como ele dizia. Zé não estava muito bem sintonizado com o tal caboclo, porque o sentia um pouco distante do seu modo de estar no mundo. Não via afinidade entre cavalo e espírito. E aquilo o incomodava. Em conversas com o chefe do terreiro, foi aconselhado a emprestar seu corpo para outra entidade. “Vamos tentar outra coisa”, disse-lhe o pai de santo. Num trabalho especial, pegando um desvio, desceu-lhe com todas as honras a Maria Padilha, afamada como espírito de comportamento libertino, uma vez que, em vida, tinha sido prostituta ou coisa que o valha.
Na primeira incorporação, Zé saiu pelas ruas do bairro de saia curta e blusa vermelha decotada, todo empoado, abastecido de batom carmim, jeito rebolativo e ar dadivoso. Não bateu no bico! Alguns rapazes, que conversavam amistosamente perto da igreja, ao verem a figura surgir oferecida e sensual, arrastaram-no para trás de uma moita próxima e se serviram dele, conforme os estatutos das libidinagens entre iguais.
chegou a casa nervoso, agitado, estropiado, xingando e reclamando com a mãe:
- Mãe, comeram o meu cavalo. Abusaram do meu cavalo, mãe!
A mãe, crente e preocupada, tentou acalmá-lo, mostrando-lhe os perigos da incorporação dessa mal falada Maria Padilha de tantos desabonos. Tomasse cuidado o filho! Tivesse juízo!
E não é que, na sexta-feira seguinte, a dita entidade se apoderou do pobre Zé, que, travestido como uma quenga, sofreu novo abusamento daqueles mesmos infiéis?
Outra vez em casa, novamente reclamou com a mãe:
- Mãe, comeram o meu cavalo. Abusaram do meu cavalo, mãe!
E assim se deu por várias sextas-feiras seguintes, dos meses seguintes.
Imagem em meninasara.blogs.sapo.pt.
Hoje, Zé tem banca montada de pederastia, no varejo e no atacado, atividade que exerce com todo gosto e desenvoltura, agradecido por ter sido auxiliado por Maria Padilha a sair do armário e assumir. E, até hoje, atribui ao Além seu comportamento libertino e dadivoso.
tanta gente dissimulada no mundo!


(Quaisquer semelhanças com pessoas mortas ou vivas, assim ou assado, será mera coincidência, ou denuncio quem me contou a história.)

19 de fevereiro de 2011

SONETO SEM SOLUÇÃO

Gravei teu nome na pedra sabão
A água forte que desceu da serra
Foto de José Sartore, em viajeaqui.com.br.
Lavou teu nome fez espuma à beça
Deixou partido o meu coração

Botei teu nome na boca do sapo
Num desagravo para a ingratidão
Que me fizeste sem nenhum senão
Mas foi inútil esse desagravo

Toquei questão no fórum da cidade
Pedi polpuda indenização
Queria ter de volta o meu tesouro

Mas tu vieste com todo desdouro
Oferecendo como expiação
Só as migalhas que com os cães repartes.